Textos categorizados 'pessoalidades'

Sobre sumiço e comentários não comentados

Tenho postado menos do que gostaria. Isso porque tou trabalhando muito (o Acervo em Casa tá de vento em popa, ainda bem, e tenho meus projetos paralelos, que têm me tomado tempo também).

Isso quer dizer, por exemplo, que não dá mais pra responder a todos os comentários sobre o Motorola Q11. Pras pessoas que comentam, eu peço desculpas mas realmente está inviável. São muitas dúvidas (muitas repetidas), já respondi quase tudo o que eu sabia e agora deixo os comentários como um fórum – espero que os “frequentadores” possam se ajudar uns aos outros.

Isso quer dizer também, que a criatividade para escrever está toda canalizada para outras coisas, então se pintar um post por aqui vai ser num momento realmente especial.

Mas assim que eu descobrir qualquer objeto mirabolante eu tou de volta – não resisto às invenções modernas! :D

Eu já…

Vi isso no blog da e, apesar de ser uma dessas bobagens que não leva ninguém a lugar nenhum, deu uma vontade de fazer…

É no estilo do filme “Antes de Partir” (algum americano que fez):

1. Criou seu próprio blog.
2. Dormiu sob as estrelas. (já acampei algumas vezes e já dormi no gramado)
3. Tocou numa banda. (eu tive uma banda na adolescência)
4. Visitou o Havaí.
5. Viu uma chuva de meteoros. (vi uma série de estrelas-cadentes no Petar – é a mesma coisa?)
6. Doou mais do que podia pra caridade.
7. Foi para a Disneylândia.
8. Escalou uma montanha.
9. Segurou um louva-deus. (já segurei um mede-mede, serve? e um bicho-pau?)
10. Cantou solo. (canto todos os finais de semana, no teatro)
11. Pulou de bungee jump. (morro de vontade!)
12. Visitou Paris. (é linda!)
13. Viu uma tempestade de raios no mar. (aqui no Rio e em São Sebastião)
14. Aprendeu uma forma de arte sozinho. (pintura com pastel seco)
15. Adotou uma criança.
16. Teve infecção alimentar. (parei de comer japa por causa disso.)
17. Visitou a Estátua da Liberdade ou o Cristo Redentor. (o Cristo eu vejo todos os dias da janela da sala…)
18. Cultivou seus próprios vegetais. (a gente tinha horta no sítio e eu ajudava minha mãe)
19. Viu a Monalisa na França. (e ela é realmente impressionante!)
20. Dormiu num trem-leito. (eu viajei em um, na Alemanha, mas não dormi.)
21. Participou de uma luta de travesseiros.
22. Viajou pedindo carona. (pedia muita carona em São Sebastião…)
23. Faltou por estar doente quando não estava. (um clássico!)
24. Construiu um forte de neve.
25. Segurou um carneiro.
26. Mergulhou pelado. (já fui em praia naturista)
27. Correu uma maratona. (morro de inveja de quem corre)
28. Se escondeu em uma gôndola em Veneza.
29. Viu um eclipse total.
30. Viu o nascer e o pôr-do-sol. (muitos!)
31. Fez um home-run. (no Wii serve?)
32. Esteve em um cruzeiro. (num cruzeiro não, mas num petroleiro já!)
33. Viu as Niagara Falls ao vivo.
34. Visitou o lugar onde seus ancestrais nasceram. (essa eu quero muito fazer)
35. Viu uma comunidade Amish. (isso no interior do Brasil tem muito: caipira. :P)
36. Aprendeu uma língua nova sozinha.
37. Teve dinheiro o bastante pra ficar realmente satisfeito.
38. Viu a Torre Inclinada de Pisa.
39. Escalou nas rochas. (na praia, fiz até luau em cima do Costão de Itaquatiara, em Niterói)
40. Viu “David” de Michelangelo. (mas vi o cofrinho da Vênus de Milo, no Louvre)
41. Cantou karaokê. (tenho em casa)
42. Viu um géiser em erupção.
43. Pagou uma refeição para um estranho.
44. Visitou a África
45. Andou na praia à luz da lua.
46. Foi transportado por uma ambulância.
47. Teve um retrato seu pintado. (desenhado)
48. Pescou no alto-mar.
49. Viu a Capela Sistina.
50. Esteve no topo da Torre Eiffel em Paris. (preferi a vista da Tour Montparnasse)
51. Mergulhou ou fez snorkel.
52. Beijou na chuva.
53. Brincou na lama. (muito!)
54. Foi à um cinema drive-in.
55. Foi ao cinema.
56. Visitou a Muralha da China.
57. Abriu seu próprio negócio. (não tenho CNPJ, mas Acervo em Casa é a MINHA empresa!)
58. Teve aula de artes marciais. (Krav Magá)
59. Visitou a Rússia.
60. Trabalhou em uma cozinha do sopão.
61. Vendeu biscoitos de escoteiras.
62. Admirou as baleias. (antigamente tinha show de baleias no Playcenter)
63. Ganhou flores sem motivo. (meu marido é expert nisso)
64. Doou sangue. (eu queria, mas a enfermeira não deixou…)
65. Pulou de pára-quedas. (quero muito!)
66. Visitou um campo de concentração nazista.
67. Teve um cheque devolvido.
69. Salvou um brinquedo de infância. (tenho um ursinho que tem 23 anos)
70. Visitou o Lincoln Memorial.
71. Comeu caviar. (não é nada demais)
72. Fez um quilt.
73. Foi até Times Square.
74. Conheceu os Everglades.
75. Foi demitido.
76. Assistiu a mudança de guardas em Londres. (assisti a mudança da guarda do Castelo de Praga, serve?)
77. Quebrou um osso.
78. Andou em uma motocicleta de corrida.
79. Viu Grand Canyon ao vivo.
80. Publicou um livro.
81. Vistou o Vaticano.
82. Comprou um carro zero.
83. Andou em Jerusalém.
84. Teve uma foto sua no jornal.
85. Leu a Bíblia inteira. (essa eu provavelmente nunca vou fazer)
86. Visitou a Casa Branca.
87. Matou e preparou um animal para comer. (peixe)
88. Teve catapora. (não lembro…)
89. Salvou a vida de alguém. (uma amiga com crise séria de asma, que tava sem a bombinha)
90. Participou de um júri.
91. Conheceu alguém famoso.
92. Participou de um clube do livro.
93. Perdeu um ente querido.
94. Teve um bebê.
95. Viu o Alamo ao vivo.
96. Nadou no Great Salt Lake.
97. Processou alguém ou foi processado.
98. Teve um celular.
99. Foi picado por uma abelha.
100. Foi ao Canal do Panamá.

Vou te dizer que qualquer hora vou fazer outra dessa mas com as coisas que eu quero de verdade.

Ai, meu coração!…

Outro dia vi na tevê a atriz Renata Dominguez dizendo que teve síndrome do pânico, fez tratamento (medicamentos e terapia) e que – ainda bem – tinha se curado. Mas o que me chamou atenção foi ela contando como tudo começou: taquicardia.

Lembrei imediatamente do meu cardiologista, Dr. Wellington Ferreira. Por que eu tenho um cardiologista? Exatamente porque eu comecei a sentir umas taquicardias diferentes, como se o coração batesse na garganta. Fora minha pressão que é naturalmente baixa, e uma série de sensações de cansaço e indisposição que eu sentia.

Fiz um eletro e ele me mandou fazer um teste ergométrico (aquele de correr na esteira) e um ecocardiograma. O primeiro não deu nada, o segundo também não. Mas o eco!… Bingo! Eu tenho prolapso da válvula mitral e insuficiência valvular leve.

É meio assustador saber que se tem algo no coração, mas o médico tratou de me acalmar: nada mais é do que uma imperfeição em uma das válvulas do meu coração que faz com que ela não se feche corretamente e passe um pouco de sangue quando ela deveria estar fechada. Nasci com isso, vou morrer com isso mas não vou morrer disso. E o médico falou que essa coisa toda que eu sentia era exatamente por causa do tal prolapso – que é muito mais comum do que a gente imagina.

Tente imaginar uma mulher branca, magra, ansiosa demais, irritadiça? Ela provavelmente tem prolapso. Acredite se quiser.

As consequências disso são quase nulas, a pessoa só tem que aprender que o ritmo dela para esforços físicos é diferente do das outras pessoas e que, de vez em quando, ela pode ter taquicardias. E aí é que entra o link com o primeiro parágrafo: como é o biotipo da atriz comentada mesmo?…

Ele disse que é comum pessoas com prolapso desenvolverem síndrome do pânico porque confundem a taquicardia da doença com a sensação de medo. Especialmente as pessoas que não sabem que tem prolapso, acham que estão em perigo por não saberem que o coração delas é que não está funcionando direito. Ou seja, é alarme falso e a cabeça nessas horas faz toda a diferença: se a pessoa sabe que a taquicardia está relacionada com o problema no coração só tem que controlar a cabeça pra não se deixar cair na arapuca do medo. E, te garanto, que ajuda muito.

Por que eu tou contando tudo isso? Eu não sou médica, tou longe disso, mas depois da tal entrevista fiquei pensando quantas pessoas poderiam poupar dinheiro, qualidade de vida e tempo (fora não ter que tomar os viciantes remédios tarja preta), se essa informação fosse mais divulgada? Talvez a Renata Dominguez tenha apenas prolapso e a síndrome do pânico seja só consequência de como a cabeça dela tenha interpretado as taquicardias. Vai saber?

Moral da história: tá com taquicardia? Vá a um cardiologista antes de ir ao psiquiatra. Pra mim funcionou.

Cheira a espírito adolescente

Quando eu entrei na adolescência o Nirvana entrou na minha vida. Inicialmente por culpa da MTV, claro – a grande responsável nos anos 90 pela educação musical da galera. Mas eu fiquei tão fã de Nirvana que fui muito, mas muito além do que a MTV podia me dar.

Na época ainda do Nevermind fui atrás do primeiro disco da banda, Bleach, praticamente desconhecido do grande público. E ia completando a coleção imediatamente enquanto os discos iam saindo. Logo, tenho Incesticide, por exemplo, em vinil, e mais um monte de shows da banda ao redor do mundo -  gravados em k7 por um amigo que trabalhava numa loja da Galeria do Rock – dos trocentos CDs alternativos (pra não dizer “piratas”, a maioria italiano) que apareciam por lá. Alguns desses CDs eu consegui comprar, como um box de 3 CDs e um livro, recheados de versões e fotos raras. Além do single de Smells Like Teen Spirit, trazido dos Estados Unidos pelo então namorado da minha irmã que sabia da minha coleção (e que numa outra viagem me trouxe o primeiro single da banda recém-formada de David Grohl, um então desconhecido Foo Fighters).

Mas minha coleção não se limitava a discos. Comecei, de repente, a colecionar reportagens e recortes, dos mais variados. Tinha desde a manchete do finado “Notícias Populares” alardando o suicídio de Kurt Cobain até a segunda revista “Rolling Stones”, cuja capa era um contraponto da primeira, com o trio vestido de terno e gravata. Tudo o que eu achava ia guardando, até que completei duas pastas-fichário grandes.

E foi então que eu parei. Parei porque não tinha mais Nirvana. Porque não tinha mais por que continuar colecionando o que não sairia mais. Porque aquela rebeldia grunge, que pautou toda a minha adolescência, uma hora se transformou de outra coisa – nem sei dizer exatamente em quê – e, quando eu vi, não usava mais cabelo raspado nem roupas rasgadas. E as pastas foram pro armário e os discos, que não saiam do rádio, foram pra prateleira.

Mas percebo que, por mais que eu tenha “parado” com Nirvana na minha vida, ele foi realmente importante pra mim. Porque eu era uma garota tímida, da periferia, que não sabia se expressar, que passava pela fase mais conturbada da vida de todo mundo – a adolescência – sem me encaixar em grupo nenhum, sem ser a melhor nem a mais bonita ou a mais inteligente. E acredito que, pra toda a geração anos 90, era isso que o Nirvana representava: até o que não se encaixa tem o seu lugar.

Gostos à parte, Nirvana foi um marco. O Grunge foi um marco. E quem não entende isso não entede os anos 90.

Extreme Makeover

Tou querendo ficar ruiva. Ruiva, ruiva mesmo. Tipo cabelo cor de cobre, entre o loiro e o vermelho. Eu sei que não vai ficar estranho porque meus primos são ruivos e eu sou branca com sardinhas – típico de quem nasce com as madeixas cor-de-fogo.

Aí, pra testar, fui num desses sites (existem milhões deles hoje em dia) onde você pode testar como ficam cortes e cores na sua carinha linda. Claro que são cabelos produzidos (neste caso, de "estrelas de Hollywood"), então não é o look que vai ser no dia-a-dia, mas dá pra ter uma boa idéia. Eu gostei. E se duvidar, ainda essa semana, posto uma foto de verdade, sem montagem. Será?

Lis_makeover_1 Lis_makeover_2 Lis_makeover_3 Lis_makeover_4 Lis_makeover_5 Lis_makeover_6 Lis_makeover_7   Lis_makeover_8   Lis_makeover_9

***
01/abr (não é mentira)

Tou desistindo da transformação – é que sai muito caro fazer esse tipo de coisa e, pior ainda, manter. Num outro momento, quando eu estiver mais “abastada”, ou arrumar uma amiga cabeleireira, eu faço. Sem dó.

In memoriam

Acabei de descobrir que meu primeiro blog, o Efeitos Colaterais, (inativo há séculos, obviamente) foi tirado do ar pelo Terra. Uma pena. Não que eu fosse postar lá novamente – o passado passou – mas era legal saber que ele estava ali, como um fóssil de dinossauro. Meu dinossauro pessoal.

Que descanse em paz.

Botando em prática

Pra não dizer que eu só falo e não faço, taqui mais um post. Curto.

Deu vontade de escrever e abri o windows live writer sem nem pensar pra não ter possibilidade de desistir.

Bom, já que não tenho muito a falar agora – acho que não tem como eu endireitar um assunto pra esse post nessa altura – esse fica com digno representate do “pra não dizer que não falei das flores “.

(e pra coroar ainda coloquei tags novas, olha só!) ;)

Quando eu cheguei no Rio – parte 5

Avisei aos velhinhos que eu tava de mudança. Eles ficaram um pouco decepcionados. A essa altura do campeonato eles já estavam mais do que acostumados comigo – afinal, que ótima moradora essa que não reclama das brigas, não dá pití e ainda ensina a usar a internet em seu próprio computador, não?

Conversei com meu pai e ele topou tudo e deu carta branca pra eu comprar o que precisasse. Só o que precisasse. E isso queria dizer cama-fogão-geladeira.

Primeiro fui atrás da cama, a geladeira e o fogão ele compraria comigo quando viesse me ajudar na mudança. Como eu tava do lado da Rua Barata Ribeiro, com todas aquelas lojas, foi por lá mesmo que eu fiquei. Entrei numa loja de colchões, deitei em todos, experimentei cada cama, procurei travesseiros. Depois de algum tempo, resolvida, sentei pra fechar negócio com a vendedora numa das escrivaninhas espalhada pela loja comprida e estreita. E lá tou eu, esperando a dona preencher a nota e sentindo uma cóceguinha na perna… Tentei arrumar a barra da calça, pra ver se passava, e de dentro dela caiu uma barata enorme, que saiu andando tranquilamente para junto de suas amigas, que circulavam tranquilas junto à parede. Foi só aí, de pé e morrendo de aflição daquela sensação na canela, que olhei bem em volta e vi que muitas baratas se acumulavam pelos cantos da loja. A vendedora, sem graça, não sabia o que fazer.

- Nossa, você é muito corajosa. – ela disse – Eu já teria aberto um escândalo. (!)

Paguei o mais rápido possível e corri pra casa dos velhinhos, tomar um banho e tirar a sensação daquelas patinhas na minha canela.

Antes de instalar a cama e o colchão na casa nova eu, claro, chequei pedacinho por pedacinho da cama e do colchão, pra ver se nenhuma daquelas moradoras da Barata Ribeiro tinha vindo junto, mas sabe que nunca confiei totalmente? Sempre imaginei que dentro daqueles tubos que sustentavam meu colchão devia ter uma colônia de férias…

Mecânica

Na nutricionista:

- Eu tenho colesterol alto, mas minha alimentação já é bem restritiva. Não como carne vermelha nem tomo refrigerantes há 12 anos. Não bebo álcool nem café. Não fumo. Fora que já há uns 2 anos eu sou sensível à lactose.

- Hum… Vou te passar uma listinha com o que é bom você cortar da sua alimentação. – A médica abre a gaveta e pega uma lista pronta. Lê a lista, didaticamente. – Olha, carne de boi e de porco não pode…

- Eu não como carne vermelha.

- Ah, é. Bom. Miúdos e embutidos de porco, tipo linguiça, salame, esse tipo de coisa, também não é legal.

- …eu não como carne vermelha.

- Ah, é. Laticínios, leite integral, queijos…

- Eu sou sensível à lactose. Não tomo leite, quase não como queijo. Branco, nem pensar, só consigo o amarelo. E como requeijão.

- O amarelo não pode. E troca o requeijão pra light. Tem mais, ó: molhos de carne, sabe? Também não é bom. Nem pele de galinha.

- Quando eu parei com a carne eu também cortei a pele de galinha, por causa da gastrite.

- Ah. Que bom. Então. E comida de dia-a-dia tudo bem, arroz e feijão, essas coisas. Mas feijão sem carne! Nada de bacon nem linguiça.

- Eu não como carne.

- Hum… então você vai dar conta do recado fácil-fácil.

Claro.

Sobre a falta de assunto

Faz algum tempo que não escrevo. Na verdade, não-escrever tem sido mais constante aqui do que escrever. Acho que porque o mundo anda meio chato, os assuntos se esgotam rápido, todo mundo fala sobre as mesmas coisas. Eu, por exemplo, pensei sobre vários temas pra escrever. Pensei em falar do tão falado namoro da Mallu Magalhães com o Marcelo Camelo (14 anos de diferença) e como todos exageram esse lance da idade – eu que o diga! Sou 20 anos mais nova que meu marido! – mas achei que todo mundo já falou a beça disso e que a vida particular deles, se não incomoda os pais dela, não é da conta de ninguém. Pensei em falar de como pode ser importante – pros dois lados, o bom e o ruim – a eleição de um presidente negro nos Estados Unidos, mas ele ainda nem tomou posse e só se fala de Obama, Obama, Obama. Pensei em falar da absurda lei de cotas pra todas as universidades públicas e seu agravante de talvez não contar com o fator renda, apenas “raça” – etnia, eles querem dizer, porque raça é só a raça humana – mas eu já fiz um post aqui sobre isso, colocando um texto incrível do Ali Kamel, diretor de jornalismo da Globo, e todo mundo já tá cansado de saber que eu acho que Universidade não é pra todo mundo, é só pra quem quer seguir carreira acadêmica, pro resto deveríamos ter inúmeros cursos técnicos (os famosos tecnólogos). Pensei em escrever sobre outras tantas coisas, mas no final das contas, cá estou eu, escrevendo um post sobre a falta de assunto.

E tem outra. Todo o meu tempo de escrita eu tou destinando àquela peça, lembra?, que eu já citei num outro post. Então…

Só faltou o Doutor House. Pronto. Taí. Já tenho o assunto para o próximo post. ;)

Mundo Novo

Eu saí de casa aos 17 anos. Deixei pra trás minha família, costumes, comodismos e, claro, amigos de uma vida inteira (mesmo que ainda tão curta). Claro que eu não tinha essa clareza toda, de que meus amigos estavam ficando pra trás. Na minha cabeça de viajante, de deslocante, um mundo novo se abria à minha frente, não fazia muito sentido pensar no que estava ficando naquela cidade que foi meu berço e que me preparou para a nova empreitada. Até porque, de alguma forma, pensava em manter fortes os vínculos – minha família toda estava ficando, como não? – e, por que não, voltar quando terminasse a faculdade.

Na cidade nova, vida nova. E sempre que começamos alguma coisa estamos abertos às novidades. Me apaixonei pelo Rio, pelos novos costumes, arrumei novos comodismos e, claro, fiz novos – e grandes – amigos. E agora, por estar longe “de casa”, meu amigos se tornaram minha nova família.

Os anos se passaram, a faculdade acabou e eu não voltei “pra casa” – agora eu tinha uma outra casa. E esses grandes amigos, que eu fui “colecionando” aqui, que formaram a base da minha nova vida, começaram a pensar em mudanças, da mesma forma que eu fiz, precocemente. E foi então que eu senti na pele o que sentiram os que me amavam e me tinham como família e amiga quando eu disse, alegremente, que estava partindo.

Três já se foram (uma pra Minas, um pro sul e outra pra Europa), dois deles quase ao mesmo tempo, este ano. E agora mais um se prepara para ir (pra Europa também).

Eu tenho me sentido triste, como se os membros da minha família estivessem saindo de casa. Por mais que eu saiba que, pra eles, é um mundo novo de descobertas que se abre alegremente e que não vale a pena pensar no que está ficando pra trás, dá uma dorzinha chata, sabe?

Eu desejo muito que eles sejam tão felizes quanto eu fui quando saí de casa. Mas vou sentir muitas saudades. Isso eu vou.

Um filme para cada ano de vida

Seguindo o desafio do Rodrigo fiz minha lista de filmes importantes, um para cada ano de vida. Olhando a lista vai ficar claro, mas já adianto: meu ano de vida é o ano de lançamento do filme. Logo, certos anos com produções muito boas (especialmente 1994 e 2003) tiveram disputas acirradas e ótimos concorrentes foram sacrificados. Tudo em nome do equilíbrio total e da boa história.

Gandhimovie 1982 – Gandhi

Esse foi o primeiro filme sério que eu assisti. Devia ter uns 10 anos. O professor de história do colégio mandou. Eram duas fitas.  Lembro que assisti sozinha e que fiquei chocada. E nunca mais esqueci daquele velhinho simpático de túnica branca.

 

Flashdance 1983 – Flashdance

Simplesmente todas as meninas da minha geração usaram polainas por anos por causa desse filme. E dançaram, muito. Fiz até coreografia pra escola com a música do filme.

 

 

ahistóriasemfim 1984 – A História sem fim

Todo mundo que nasceu nos anos 80 viu e reviu esse filme muitas vezes. E todo mundo queria ter aquele cachorro gigante que voava. Eu, pelo menos, queria. E tinha curiosidade de conhecer o “Nada”.

 

edvoltaparaofuturo 1985 – De volta para o futuro

O início da clássica triologia do Robert Zemeckis. É de uma criatividade ímpar. Foi meu primeiro contato com esse diretor e roteirista, que se tornaria um dos meus preferidos. E a dublagem original era perfeita. Assisti muitas vezes (o 2 e o 3 também).

 

umdiaacasacai 1986 – Um dia a casa cai

Assisti uma vez só, mas nunca mais me esqueci dele, dos detalhes, da relação daquele casal, da obra. Depois me dei conta que a produção era do Spielberg – e filme que ele bota a mão dificilmente é “esquecível”.

 

 

umanoitedeaventuras 1987 – Uma noite de aventuras

Eu era fascinada por esse filme, por aquela babá irresponsável, por aquela menina aficcionada pelo Thor. Assisti na “Sessão da Tarde” muitas e muitas vezes mas passei anos sem saber o nome dele. Só descobri depois da invenção da internet.

 

querosergrande 1988 – Quero ser grande

Esse filme me apresentou o cara que é uma referência de atuação pra mim, talvez o melhor ator de todos os tempos (na minha opinião, claro): Tom Hanks. Talvez eu já tivesse o visto antes, mas foi aqui que eu realmente reparei nele.

 

ilhadasflores 1989 – Ilha das Flores

Assisti esse curta na escola. Descobri com ele que existiam curtas-metragens, que eles poderiam ser muito bons e que o mundo está longe de ser justo.

 

 

nikita 1990 – Nikita

Conheci o trabalho do Luc Besson já “velha”. E fiquei apaixonada pela poesia das suas histórias. E virei fã especialmente deste e de “O Profissional”.

 

 

afamiliaadams 1991 – A família Addams

Esse filme foi um hit da minha geração. E eu descobri o humor negro. Depois, quando virei adolescente, ganhei o apelido de Vandinha (ou Wednesday). Ou seja, mesmo se eu não quisesse ele influenciaria minha vida.

 

 

waynes_world1992 – Quanto mais idiota melhor

Esse filme coroou a chegada da MTV ao Brasil – até porque os atores eram os queridinhos da MTV americana na época. Não tinha como não pegar os bordões bobos do filme bobo que era o hit da Music Television. E ainda editaram o clipe de “Bohemian Rhapsody” do Queen com cenas do filme!

 

feitiçodotempo 1993 – Feitiço do tempo

A primeira vez que eu vi esse filme, peguei ele no meio. Não me conformei e assisti de novo. E como gostei, vi mais uma vez. E depois mais outra. E mais outra. Eu tinha me rendido ao Bill Murray e aos roteiros de realidade fantástica.

 

forrest gump 1994 – Forrest Gump

Vi esse filme no cinema com minha mãe. Gostamos tanto que saímos da sessão direto pra loja de discos, comprar o K7 da trilha sonora. E eu realmente gostei tanto que esse passou a ser o filme que mais vi na vida (perdi as contas quando estava na casa das 40 vezes). E meu primeiro disco de trilha sonora.

se7en 1995 – Se7en

Meu primeiro suspense visto no cinema. Foi de uma tensão terrível. E no final um dos caras amigo-de-um-amigo que estava com a gente contou o final do filme bem alto, de propósito, na porta do cinema, ao lado da fila da próxima sessão – foi quando aprendi a odiar “spoilers”.

 

trainspotting 1996 – Trainspotting

Quando lançaram esse filme eu não vi, não me interessei. Mas eu tinha uma amiga que era toda cult de pai e mãe e que adorava o filme e a trilha sonora. Anos depois, quando assisti, fiquei impressionada de ela, tão nova, ser fã de um filme como esse. E entendi que eu fui uma adolescente ingênua, muito ingênua.

titanic 1997 – Titanic

Foi a primeira vez que encarei um blockbuster no cinema. Compramos os ingressos com dois dias de antecedência e tivemos que sentar lá na frente, porque o cinema estava lotado. Quando o navio começou a afundar eu parei de comer a pipoca. E só consegui continuar quando saí da sala.

cidadedosanjos 1998 – Cidade dos anjos

Vi esse filme no cinema. Achei lindo. E fiquei fissurada no cabelo da Meg Ryan. Um dia fui cortar o cabelo e levei, por acaso, uma revista com a foto dela em cena. Mostrei pra cabelereira e falei “queria ter o cabelo assim”. Ela disse que dava. E eu descobri, aos 16 anos, que meu cabelo não era liso.

beijgjohnmalkoich1999 – Quero ser John Malkovich

Achei uma loucura esse filme quando assisti pela primeira vez. Nem sequer reconheci a Cameron Diaz. Mas adorei. E incluí o Charlie Kaufman na minha lista dos caras mais criativos do mundo.

 

 

snatch 2000 – Snatch! Porcos e Diamantes

Não sei dizer exatamente por que eu gosto desse filme nem por que ele me marcou. Mas marcou. Acho tudo genial, as interpretações, a montagem, o roteiro, a direção. Não sei por quê mas eu sempre me lembro dele. Especialmente do cachorro que buzina.

 

ofabulosodestinodeameliepoulain 2001 – O fabuloso destino de Amélie Poulain

Demorei pra ver esse filme. Sempre acontecia alguma coisa que não me deixava ver. E quando vi achei encantador. Tanto que quando fui à Paris fiz questão de ir no Sacré-coer  e no café do filme.

 

durvaldiscos 2002 – Durval Discos

Comecei a assistir a esse filme achando que seria perda de tempo. Mas logo nos créditos iniciais achei que poderia estar errada. E estava. Muito. Talvez seja o melhor filme nacional que já vi. E a trilha sonora é, do início ao fim, um primor.

 

dogville 2003 – Dogville

Entrei no Cine Paissandu pra ver esse filme sem saber do que se tratava. No meio da sessão eu já tava aos prantos. No final e mal conseguia me mexer. Passei o resto da noite catatônica, em choque. Nunca tinha passado por uma catarse assim com obra de arte nenhuma. Foi estranho – e muito marcante. E ele, literalmente, mudou a minha vida.

 

antesdopordosol 2004 – Antes do pôr-do-sol

Fui ver esse filme no cinema sem ter visto o “Antes do amanhecer”. Fiquei tão encantada com aquele filme falado e falado e falado!… Entendi que, definitivamente, não se precisa de muito pra fazer uma obra-prima. E quando estive em Paris fui à Livraria Shakespeare & Co. e procurei algumas locações – foi quando me dei conta que nem sempre a sequência de locações é lógica.

gataodemeiaidade 2005 – Gatão de meia idade

Quando eu cheguei no Rio eu só tinha trabalhado com teatro. Daí surgiu a oportunidade de fazer figuração num longa-metragem. Fui pra ver como era. E me diverti muito, atazanei a equipe toda perguntando como tudo funcionava. E até hoje tem gente que me liga pra dizer que me viu no filme.

ocodigodavinci 2006 – O Código Da Vinci

Em 2006, durante o lançamento do filme, eu estava em Paris. Via toda aquela multidão fissurada no Louvre e não tinha idéia do por quê. A sala da Monalisa então, parecia que esperavam pra ver a Madonna. Só fui ver o filme mesmo bem depois. E adorei. Se soubesse da história teria curtido mais o Louvre. Pelo menos tirei uma foto da inversão da pirâmide (sem querer).

juno 2007 – Juno

Esse é o tipo de humor que me atrai. Ácido, quase negro. E esse é o tipo de filme que me atrai. Simples, inteligente, sagaz. Queria ter escrito essa história.

 

 

walle 2008 – Wall.e

Estava entediada à tarde então resolvi ir ao cinema sozinha pela primeira vez na vida. Acho que nunca tinha visto um desenho tão poético. Me dei conta que ir ao cinema sozinha não é tão ruim e que se usa muito pouco lirismo na arte hoje em dia.

O que tá rolando por aqui

Tou sem passar aqui há algum tempo. Comecei a escrever a parte 5 do “Quando eu cheguei no Rio”, mas parei no meio. Depois termino, juro. Desventuras na minha mudança pro Rio não faltaram.

O que eu tenho feito ultimamente? Aulas de dublagem, coisas “dona-de-casa”, Twitter, Blip.fr (meu novo vício). E começado uma história nova. Pra uma peça. Não sei se vou conseguir desenvolver, mas é a idéia que mais gosto, há tempos. Ainda não comecei o corpo do texto porque tenho que montar o histórico paralelo das personagens (dois irmãos, ela 27 anos, ele 20). Aliás, ele está sendo mais desafiador pra mim do que ela. Acho que porque eu pensei nela primeiro, então, de alguma forma, ela já veio mais bem formada. Só sei que ele é um cara quieto, que faz faculdade de engenharia. Na verdade eu sei mais coisas, mas com relação à história e não ao histórico dele.  Então quem quiser dar sugestões do que poderia ter acontecido na vida de um rapaz de 20 anos, vou adorar! ;)

Quando eu cheguei no Rio – parte 4

Depois de 6 meses morando com os velhinho no apartamento da Prado Junior e muitas participações passivas em brigas, resolvi que precisava sair de lá.

Comecei procurando apartamento no bairro ainda. O primeiro foi na própria Prado Júnior. Era na quadra da praia, num prédio com muitos comércios em baixo. Tinha um hall de elevadores aberto ao público e corredores imensos, com muitas portas. O apartamento pequeno, barulhento (mesmo sendo em andar bem alto), mas tinha vista pro mar. Não dava pra morar sozinha naquele lugar completamente desprotegido.

O segundo foi numa outra galeria, pros lados do Arpoador, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Quando passei pelo corredor quase desisti de entrar no apartamento: era como o da galeria da Prado Júnior, mas tinha puta fazendo ponto no corredor. Claro que não dava pra mim – o apartamento.

O terceiro, o quarto, o quinto… todos em Copa. Todos pequenos demais, caros demais, mal localizados demais, barulhentos demais, assim mesmo, tudo junto. O bairro tem dessas coisas porque os apartamentos que eram simples pontos de apoio pras famílias que queriam ir à praia nos finais de semana, na época áurea de Copa, foram vendidos quando o bairro valorizou, nos idos dos anos 50. Então são apartamentos inabitáveis (já que não eram feitos pra isso mesmo) que se fingem de chiques. Se bem que nem fingir eles conseguem mais.

Depois de muito olhar jornal e rodar o bairro todo comecei a cogitar mudar de arredores. Olhei Botafogo, olhei Flamengo, e até Ipanema, mesmo sem cacife pra isso. E nada. Então um dia, na universidade, um amigo que sabia da minha procura disse que a família da namorada dele tinha um quarto e sala disponível na Glória. Não tava achando nada mesmo… por que não?

Eu nunca tinha ido pra Glória. Não conscientemente. Fui com ela, a namorada, de metrô. E botei isso na listinha dos pontos fortes: metrô na rua de casa. Fomos subindo a rua e eu estranhando tudo. Passamos por um paredão esquisitíssimo e o prédio ficava bem em frente. Entrei. Olhei. Fiquei encantada.

Depois, conversando com ela, a lista dos pontos fortes foram aumentando: o muro na frente do prédio era de um hospital; na rua tinha padaria, banca de jornal, mercado de frutas, locadora; o apartamento, todo equipado com armários embutidos, me isentava da compra de quase todos os móveis; eu não precisaria de fiador; o aluguel e o condomínio era pouco mais caro do que o quarto que eu alugava; e o melhor: não precisaria morar com velhinho nenhum.

Topei.

(…)

Na estrada

Se tem uma coisa que eu gosto de fazer nessa vida é viajar. Descobri isso não faz muito tempo. Até porque eu nunca tinha viajado de verdade, sabe? Dessas viagens que tomam dias e que deixam a gente realmente ansioso, esperando a hora de partir?

Fora que eu descobri que viagem, pra mim, tem que ser de carro, de trem ou de avião. Essa coisa do ônibus, de nem ter autonomia, nem espaço, nem ir de uma vez só me angustia. Digo isso porque já viajei muito de ônibus. Conheço a Dutra de trás pra frente e de frente pra trás. É horrível não saber quem vai sentar do seu lado, se você vai conseguir dormir ou não, se a parada vai ser num lugar bom. E não dá pra andar dentro. Porque o carro tem pouco espaço como o ônibus mas você pára onde quer. O trem é um pouco mais espaçoso, não faz paradas mas é mais rápido, você pode andar por ele e geralmente as cabines têm um pouco de privacidade. E o avião é até mais apertado do que o ônibus mas é muito mais rápido, muito mais rápido.

Quando eu era criança ia sempre pros mesmos lugares. Aí você pára de chamar isso de viagem, porque não tem mais novidades. Tem, de coisas diferentes do cotidiano, mas não aquele encantamento de descoberta, sabe? Ia sempre pra Ibiúna, no interior de São Paulo, e pra São Sebastião, no litoral. Sempre. O mais diferente disso, durante a infância e a pré-adolescencia, foi ir até Campos do Jordão e até Caldas Novas, em Goiás (que eu gostei muito, por sinal, mas que lembro pouca coisa, na verdade).

Aí, com 17 anos fiz minha primeira grande viagem sozinha. Fui conhecer o Rio de Janeiro. Me hospedei no único Albergue que tinha na época, o Chave do Rio, no Humaitá (que hoje não existe mais), e rodei a cidade com um amigo carioca como guia. Foi tão, mas tão incrível que, 6 meses depois, eu me mudei pra cidade.

Foi quando começou minha vida na Dutra. No primeiro ano ia quase todos os finais de semana pra São Paulo. No segundo diminuí pra 15 em 15 dias. No terceiro, uma vez em 45 dias. No quarto, uma vez por mês. E assim por diante até perder completamente a paciência com viagens de ônibus. Hoje, vou a São Paulo quando necessário, quando bate muita saudade, e/ou quando a grana dá, porque só vou de carro ou de avião – o que pode gerar intervalo de meses.

Já morando no Rio eu acabei, de carona com amigos e amores, conhecendo a região. Petrópolis, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Saquarema, Rio das Ostras, Matias Barbosa, Juiz de Fora… ia pra onde me levavam. E ia feliz, a qualquer momento, era só chamar. Me ligavam em cima da hora: tou indo, quer ir? Eu arrumava uma mochila e saía. Não tinha nada que me prendesse mesmo.

Em 2004 tive minha primeira experiência de viagem internacional – fui conhecer o Chile – e repeti a dose em 2006 – uma viagem de 45 dias pra Europa, pra participar de um casamento grego-cipriota. Me informei o máximo possível sobre cada lugar que eu ia passar pra tentar escolher os melhores. E me dei conta que cada lugar é um lugar, cada povo, cada cultura… não importa o quanto você conheça, sempre vai ser diferente.

Acho que quando a gente cresce é que vem a idéia de que cada viagem é única. Que cada lugar é um lugar em seu particular momento. Hoje eu consigo perceber isso nas minhas viagens de infância, especialmente depois de ter passado por lugares que talvez eu nunca mais passe de novo. Eu mudei, eles mudaram, mesmo se eu voltar as coisas vão ser diferentes.

Acho que foi essa consciência que me fez gostar tanto de viajar. Porque é quando a gente sai da rotina que a gente percebe como tudo muda rápido, como as pessoas são diferentes, como o mundo é grande. E tem tanta coisa pra aprender!…

Reciclando

Quando eu era criança eu brincava com minha cumadre Dô de redublar os filmes que passavam na tevê. A gente ficava sentada no sofá, tirava o som, e ficava inventado histórias malucas com aquelas personagens. Claro que era muito divertido, mas até aí quando a gente é criança toda tiração de onda é divertida.

Como eu entrei pro teatro aos 11 anos – porque era uma ostra de tão tímida – acabei pegando gosto pela coisa e nunca parei. Fiz umas pausas, mas parar mesmo, nunca. E quando mudei pro Rio comecei a diversificar o aprendizado – que até então ficava só no palco italiano, aquele clássico de teatro, com texto, cenário e figurino, tudo padrão.

A primeira mudança foi um curso de interpretação pra tevê. Foi quando eu entendi que veículos diferentes têm linguagens diferentes. Aprendi logo na primeira aula, com uma crítica dura e bem feita, que não dava pra convencer ninguém na tevê que uma garota de 17 anos é uma mulher de 50. Não sem muita maquiagem. E depois fui aprendendo a ser mais natural, mais espontânea, mais televisiva.

A segunda mudança foi experimentar o cinema. Entendi que no cinema, diferente do teatro e da tevê, tudo demora muito tempo, é tudo muito picotado, requer muita concentração e paciência – e cansa. Pra filmar 5 minutos de curta-metragem gasta-se um final de semana inteiro. Adorei as experiências, mas infelizmente foram menos do que eu gostaria.

A terceira mudança foi aprender a técnica universal de interpretação. Como não fiz graduação em artes dramáticas, tudo o que eu tinha aprendido até então era totalmente empírico, prático. Por um lado é bom, mas por outro, a falta da teoria a gente só percebe quando aprende a dita cuja e quando vê que pode dominar, através dela, coisas que até então eram puramente instintivas. E a sensação é ótima.

A quarta mudança foi aprender a me expôr e a errar. Por mais óbvio que isso possa parecer quando se fala de arte dramática, é uma das coisas mais difíceis de fazer e que, se duvidar, a gente leva a vida toda pra dominar (confesso que eu tenho grandes dificuldades nessa).

A quinta mudança foi aprender a interpretar sem usar o corpo – o que, de alguma forma, é técnica de inflexão de texto. Comecei participando de um espetáculo de poesias e acabei aperfeiçoando no trabalho de dialogue coach, ou treinadora de diálogos (fazer os outros personagens em cena para um ator poder decorar seu papel). Aprendi a ler de forma mais dinâmica sem perder as nuances da história, expressando as emoções sem forçar nada pra isso.

E essa quinta mudança acabou me levando pra uma sexta, a atual, que acabou sendo uma volta às origens: a dublagem. Estou fazendo um curso pra aprender a dublar – ou melhor, fazer “versão brasileira”: viver uma personagem como outra atriz já viveu, usando as intenções dela mas do meu jeito, dando, através da minha voz, vida pra imagem dela. E digo que é difícil. Muito mais do que parece. Porque requer concentração, técnica e, acima de tudo, espontaneidade.

Todas essas mudanças são graduais e lentas, mas muito gratificantes, e uma vez começadas acho que nunca se encerram. Qual a próxima ou pra onde vão me levar, sabe lá. Acho que agora, mais do que nunca, eu tou entendendo que esse caminho não termina nunca. Quem sabe essa não é a sétima mudança?

Quando eu cheguei no Rio – parte 3

Morar em Copacabana é uma experiência. Tem gente que se apega e vive isso todos os dias. Pra mim seis meses foram o suficiente.

Eu morava na rua Prado Jr, no segundo quarteirão. Meu prédio, quase que por milagre, não tinha comércio em baixo. Um prédio aparentemente dos anos 60, construído por um engenheiro que não ligava a mínima pra funcionalidade. A área do tanque ficava em cima de um platô, o que dificultava muito a movimentação de lavanderia e a passagem pela área de serviço. O corredor dos quartos era escuro, fino e imenso, dígno de filme de terror (especialmente quando eu topava com a velhinha maluca, de cabelos soltos até a cintura, em plena madrugada). E apenas um banheiro enorme, para três quartos pequenos, que viam-se uns aos outros pelas janelas.

A janela da sala, como em quase todos os prédios de Copacabana. dava de frente para as janelas de outro prédio. No caso desse, dava para o quarto-e-sala de uma trinca de travestis. Então, todos os dias, por volta das seis da tarde, eu os (as?) assistia penteando suas perucas, fazendo maquiagem, apertando seus corselets. Um evento.

Na rua, pelo menos cinco inferninhos, sendo o maior e mais conhecido o Barbarela, no cruzamento com a rua Ministro Viveiro de Castro, bem em frente à non-stop (e sem portas) Farmácia do Leme. A vantagem disso, acredite se quiser, é a segurança. Ninguém mexe com mulher nenhuma numa rua de prostituição (por isso o Pão de Açucar 24h da Viveiro é tão bem frequentado às 3h da manhã).

Mas, pra uma garota vinda da periferia de São Paulo, tinha ainda um incômodo de morar em Copa. Porque ali ninguém se conhece, todo mundo é só passante, porque o barulho é muito, a poluição visual é muita, a baderna é muito urbana, e mesmo ao lado da praia, confunde.

Com a decisão de sair da casa dos velhinhos eu comecei a procurar outros lugares. Afinal, estava na hora de deixar de ser cobaia das experiências do meu pai, dos velhinhos e de Copacabana.

Quando eu cheguei no Rio – parte 2

Eu e meu pai já tínhamos procurado repúblicas e apartamentos pra alugar, mas com uma semana de prazo e sem fiador na cidade fica bem difícil. Daí meu pai achou um anúncio no jornal. Era um quarto, pra moça solteira, na casa de uns velhinhos em Copacabana. Fomos lá ver e ele achou tranquilo. Não era o que eu esperava do começo da minha vida acadêmica, mas eu não tinha escolha. Acertamos o valor e as regras de convivência e eu me mudei.

No início aquela senhora espanhola, seu irmão e sua “amiga” venezulana me pareciam tranquilos. Como eu passava grande parte do meu dia na universidade, tudo bem. As regras de convivência eram rígidas e estranhas, como eu não poder deixar nada meu no banheiro, não poder entrar em casa pela porta da sala, só poder usar uma prateleira da geladeira, entre tantas outras. Fora que todos os dias eu acordava com cheiro de fritura, já que elas faziam salgados pra distribuir pra lanchonetes. A espanhola e a venezuelana trabalhavam nisso e o espanhol… bem, vai saber.

Mas depois do primeiro mês eu descobri que havia mais uma moradora na casa. E que ela fugia de mim. Era a esposa do espanhol, uma senhora muito idosa, também espanhola, que dormia no último quarto do corredor, logo depois do meu.

Com o tempo ela se acostumou comigo e começou até a gostar de mim. Até me chamava de boneca. Mas encontrar com ela de madrugada no corredor, com os cabelos brancos soltos até o quadril, era quase um filme de terror. Fora que ela se recusava a entender que o único banheiro da casa não podia ser ocupado eternamente justo no meu horário de saída pra universidade e que minhas ligações eram pagas por mim, então ela não deveria interrompê-las no meio. Na verdade, eu demorei pra entender que o problema dela era muito maior do que eu pensava.

Ela, a esposa do espanhol, não se dava com a venezuelana. Nunca entendi quem diabos era aquela venezuelana e nem como a discórdia começou, mas logo de cara entendi que era sério. As duas só se falavam aos berros, jogando na cara uma da outra coisas das mais bizarras, usando os palavrões mais baixos possíveis. Aparentemente a espanhola acusava a venezuelana de ter algo com seu marido e de viver com eles de favor. Mas a venezuelana desmentia e, numa dessas discussões, chegou a pegar o contrato de locação do apartamento para me mostrar que ela é que era a locatária. Não que eu quisesse saber, mas a irmã ficava tão desesperada quando elas começavam a brigar que acabava gritando por mim, para ajudar a apartar as brigas, que chegavam aos tapas e rasga-roupa.

Com essa vida, minha situação naquele apartamento na Prado Jr. foi ficando cada vez mais insustentável. Saía de manhã e não tinha vontade de voltar pra casa. Quando voltava acabava envolvida nos problemas daquela família esquisita que me cerceava, brigava entre si e nem era minha.

Foi quando, certa manhã, acordei com a esposa gritando na porta do meu quarto. Ela xingava a venezuelana de tudo e mais um pouco. E nem eram 8 horas ainda. Saí sem tomar café e só voltei na hora do almoço. Ela ainda continuava lá, na porta do meu quarto, gritando descontroladamente. Voltei pra rua, fui ao cinema, fiz hora até à noite. E quando, enfim, voltei pra casa, tudo estava quieto. Mas ao entrar no corredor me deparei com a esposa, ainda em fúria, completamente rouca, na porta do meu quarto. Ela não tinha mais voz mas tinha passado o dia todo ali.

Depois daquele dia eu comecei a procurar apartamento e acabei me mudando pra fora de Copacabana. Achei que sentiria falta, mas nunca senti. Porque a gente se acostuma com qualquer coisa? Talvez. Eu, definitivamente, aprendi a me acostumar com coisas bem melhores.

Quando eu cheguei no Rio – parte 1

Eu mudei pro Rio de Janeiro em 2000, pouco antes do carnaval. Conhecia muito pouco da cidade, tinha vindo passear uma vez, depois prestei vestibular pra Unirio e vim mais uma ou duas vezes, já pra procurar apartamento. E não foi nada fácil.

O Rio é difícil pra quem não conhece bem a cidade e procura aonde morar. Porque diferente de São Paulo, por exemplo, os arredores bons e ruins não são separados. Todo bairro do Rio tem sua área trash. E bem trash mesmo.

Claro que foi onde eu fui parar.

Cheguei de mudança, com as caixas no carro do meu pai, numa sexta no final da tarde. O quarto que a gente achou pra mim era em Copacabana e Copacabana-não-pode-ser-ruim. Pois eu não tinha a menor idéia que a Rua Prado Jr. era o centro da prostituição da zona sul do Rio de Janeiro e que um quarto lá não era o lugar mais adequado pra uma universitária de 17 anos recém-chegada. Meu pai quase surtou quando paramos o carro e ele notou as moças paradas nas esquinas, começando a jornada. Quase desistiu. Mas não tínhamos como, o quarto já tava pago e a mudança no porta-malas.

Na verdade foi menos pior do que nós pensamos. A Prado Jr. é a área mais movimentada do bairro. Funcionamento 24/7, sabe? E com as boates todas, tem leões-de-chácara por toda a região, o que faz com que a vizinhança seja segura. Diferente, mas segura.

Acabei me acostumando com tudo aquilo. Ia pro supermercado duas horas da manhã, comprar doces pra comer enquanto fazia os trabalhos de faculdade, sem medo. Ia passear na praia, ficava sentada nos bancos do calçadão lendo, e sabia que quem é dali “é da casa”.

Mas o fato de acostumar com alguma coisa não faz dela boa. E, no meu caso, o apartamento onde eu morava contribuia – e muito – pras coisas não serem o paraíso.

(…)

Novidades

Duas novidades por aqui:

:: O cabeçalho mudou. E deve mudar mais, de vez em quando, já que ando com tempo pra essas coisas. Sugestões são bem-vindas.

:: Terminei de configurar meu Flickr. O que significa que agora você pode ver fotos minhas aqui. (Coloquei na barra lateral, pra ficar mais fácil)

É isso. Aproveitem! ;)

Próxima Página »