Quando eu entrei na adolescência o Nirvana entrou na minha vida. Inicialmente por culpa da MTV, claro – a grande responsável nos anos 90 pela educação musical da galera. Mas eu fiquei tão fã de Nirvana que fui muito, mas muito além do que a MTV podia me dar.
Na época ainda do Nevermind fui atrás do primeiro disco da banda, Bleach, praticamente desconhecido do grande público. E ia completando a coleção imediatamente enquanto os discos iam saindo. Logo, tenho Incesticide, por exemplo, em vinil, e mais um monte de shows da banda ao redor do mundo - gravados em k7 por um amigo que trabalhava numa loja da Galeria do Rock – dos trocentos CDs alternativos (pra não dizer “piratas”, a maioria italiano) que apareciam por lá. Alguns desses CDs eu consegui comprar, como um box de 3 CDs e um livro, recheados de versões e fotos raras. Além do single de Smells Like Teen Spirit, trazido dos Estados Unidos pelo então namorado da minha irmã que sabia da minha coleção (e que numa outra viagem me trouxe o primeiro single da banda recém-formada de David Grohl, um então desconhecido Foo Fighters).
Mas minha coleção não se limitava a discos. Comecei, de repente, a colecionar reportagens e recortes, dos mais variados. Tinha desde a manchete do finado “Notícias Populares” alardando o suicídio de Kurt Cobain até a segunda revista “Rolling Stones”, cuja capa era um contraponto da primeira, com o trio vestido de terno e gravata. Tudo o que eu achava ia guardando, até que completei duas pastas-fichário grandes.
E foi então que eu parei. Parei porque não tinha mais Nirvana. Porque não tinha mais por que continuar colecionando o que não sairia mais. Porque aquela rebeldia grunge, que pautou toda a minha adolescência, uma hora se transformou de outra coisa – nem sei dizer exatamente em quê – e, quando eu vi, não usava mais cabelo raspado nem roupas rasgadas. E as pastas foram pro armário e os discos, que não saiam do rádio, foram pra prateleira.
Mas percebo que, por mais que eu tenha “parado” com Nirvana na minha vida, ele foi realmente importante pra mim. Porque eu era uma garota tímida, da periferia, que não sabia se expressar, que passava pela fase mais conturbada da vida de todo mundo – a adolescência – sem me encaixar em grupo nenhum, sem ser a melhor nem a mais bonita ou a mais inteligente. E acredito que, pra toda a geração anos 90, era isso que o Nirvana representava: até o que não se encaixa tem o seu lugar.
Gostos à parte, Nirvana foi um marco. O Grunge foi um marco. E quem não entende isso não entede os anos 90.



