Imagine uma rua de mão dupla, sem acostamento. Agora imagine que ela é uma espécie de “serrinha”, que atravessa um morro. E que, em toda sua extensão ela é tomada por casas e comércios e vielas e escadões, todos muito movimentados, de ambos os lados da pista. E que essas construções são pobres, logo não há muita ordem arquitetônica nem pública e, por falta de lixeiras coletivas, o lixo das casas se espalha até pelas ruas e calçadas, em alguns pontos formando montes. E que, pela quantidade de gente e pela falta de participação dos governos e da companhia de tráfego, as pesoas estacionam onde querem, inclusive nas curvas; que, por ser ladeira e muito populoso, as pessoas utilizam muitas e muitas motos; e que duas linhas de ônibus passam por ali, subindo e descendo pela mesma via, desviando dos carros e motos estacionados, das pessoas, das curvas estreitas, das nuvens de motos, das vans e dos outros ônibus. E imagine que todos que moram ao redor já acham isso muito normal.
(Hoje eu conheci a Rocinha)








