Seguindo o desafio do Rodrigo fiz minha lista de filmes importantes, um para cada ano de vida. Olhando a lista vai ficar claro, mas já adianto: meu ano de vida é o ano de lançamento do filme. Logo, certos anos com produções muito boas (especialmente 1994 e 2003) tiveram disputas acirradas e ótimos concorrentes foram sacrificados. Tudo em nome do equilíbrio total e da boa história.
1982 – Gandhi
Esse foi o primeiro filme sério que eu assisti. Devia ter uns 10 anos. O professor de história do colégio mandou. Eram duas fitas. Lembro que assisti sozinha e que fiquei chocada. E nunca mais esqueci daquele velhinho simpático de túnica branca.
1983 – Flashdance
Simplesmente todas as meninas da minha geração usaram polainas por anos por causa desse filme. E dançaram, muito. Fiz até coreografia pra escola com a música do filme.
1984 – A História sem fim
Todo mundo que nasceu nos anos 80 viu e reviu esse filme muitas vezes. E todo mundo queria ter aquele cachorro gigante que voava. Eu, pelo menos, queria. E tinha curiosidade de conhecer o “Nada”.
1985 – De volta para o futuro
O início da clássica triologia do Robert Zemeckis. É de uma criatividade ímpar. Foi meu primeiro contato com esse diretor e roteirista, que se tornaria um dos meus preferidos. E a dublagem original era perfeita. Assisti muitas vezes (o 2 e o 3 também).
1986 – Um dia a casa cai
Assisti uma vez só, mas nunca mais me esqueci dele, dos detalhes, da relação daquele casal, da obra. Depois me dei conta que a produção era do Spielberg – e filme que ele bota a mão dificilmente é “esquecível”.
1987 – Uma noite de aventuras
Eu era fascinada por esse filme, por aquela babá irresponsável, por aquela menina aficcionada pelo Thor. Assisti na “Sessão da Tarde” muitas e muitas vezes mas passei anos sem saber o nome dele. Só descobri depois da invenção da internet.
1988 – Quero ser grande
Esse filme me apresentou o cara que é uma referência de atuação pra mim, talvez o melhor ator de todos os tempos (na minha opinião, claro): Tom Hanks. Talvez eu já tivesse o visto antes, mas foi aqui que eu realmente reparei nele.
1989 – Ilha das Flores
Assisti esse curta na escola. Descobri com ele que existiam curtas-metragens, que eles poderiam ser muito bons e que o mundo está longe de ser justo.
1990 – Nikita
Conheci o trabalho do Luc Besson já “velha”. E fiquei apaixonada pela poesia das suas histórias. E virei fã especialmente deste e de “O Profissional”.
1991 – A família Addams
Esse filme foi um hit da minha geração. E eu descobri o humor negro. Depois, quando virei adolescente, ganhei o apelido de Vandinha (ou Wednesday). Ou seja, mesmo se eu não quisesse ele influenciaria minha vida.
1992 – Quanto mais idiota melhor
Esse filme coroou a chegada da MTV ao Brasil – até porque os atores eram os queridinhos da MTV americana na época. Não tinha como não pegar os bordões bobos do filme bobo que era o hit da Music Television. E ainda editaram o clipe de “Bohemian Rhapsody” do Queen com cenas do filme!
1993 – Feitiço do tempo
A primeira vez que eu vi esse filme, peguei ele no meio. Não me conformei e assisti de novo. E como gostei, vi mais uma vez. E depois mais outra. E mais outra. Eu tinha me rendido ao Bill Murray e aos roteiros de realidade fantástica.
1994 – Forrest Gump
Vi esse filme no cinema com minha mãe. Gostamos tanto que saímos da sessão direto pra loja de discos, comprar o K7 da trilha sonora. E eu realmente gostei tanto que esse passou a ser o filme que mais vi na vida (perdi as contas quando estava na casa das 40 vezes). E meu primeiro disco de trilha sonora.
1995 – Se7en
Meu primeiro suspense visto no cinema. Foi de uma tensão terrível. E no final um dos caras amigo-de-um-amigo que estava com a gente contou o final do filme bem alto, de propósito, na porta do cinema, ao lado da fila da próxima sessão – foi quando aprendi a odiar “spoilers”.
1996 – Trainspotting
Quando lançaram esse filme eu não vi, não me interessei. Mas eu tinha uma amiga que era toda cult de pai e mãe e que adorava o filme e a trilha sonora. Anos depois, quando assisti, fiquei impressionada de ela, tão nova, ser fã de um filme como esse. E entendi que eu fui uma adolescente ingênua, muito ingênua.
1997 – Titanic
Foi a primeira vez que encarei um blockbuster no cinema. Compramos os ingressos com dois dias de antecedência e tivemos que sentar lá na frente, porque o cinema estava lotado. Quando o navio começou a afundar eu parei de comer a pipoca. E só consegui continuar quando saí da sala.
1998 – Cidade dos anjos
Vi esse filme no cinema. Achei lindo. E fiquei fissurada no cabelo da Meg Ryan. Um dia fui cortar o cabelo e levei, por acaso, uma revista com a foto dela em cena. Mostrei pra cabelereira e falei “queria ter o cabelo assim”. Ela disse que dava. E eu descobri, aos 16 anos, que meu cabelo não era liso.
1999 – Quero ser John Malkovich
Achei uma loucura esse filme quando assisti pela primeira vez. Nem sequer reconheci a Cameron Diaz. Mas adorei. E incluí o Charlie Kaufman na minha lista dos caras mais criativos do mundo.
2000 – Snatch! Porcos e Diamantes
Não sei dizer exatamente por que eu gosto desse filme nem por que ele me marcou. Mas marcou. Acho tudo genial, as interpretações, a montagem, o roteiro, a direção. Não sei por quê mas eu sempre me lembro dele. Especialmente do cachorro que buzina.
2001 – O fabuloso destino de Amélie Poulain
Demorei pra ver esse filme. Sempre acontecia alguma coisa que não me deixava ver. E quando vi achei encantador. Tanto que quando fui à Paris fiz questão de ir no Sacré-coer e no café do filme.
2002 – Durval Discos
Comecei a assistir a esse filme achando que seria perda de tempo. Mas logo nos créditos iniciais achei que poderia estar errada. E estava. Muito. Talvez seja o melhor filme nacional que já vi. E a trilha sonora é, do início ao fim, um primor.
2003 – Dogville
Entrei no Cine Paissandu pra ver esse filme sem saber do que se tratava. No meio da sessão eu já tava aos prantos. No final e mal conseguia me mexer. Passei o resto da noite catatônica, em choque. Nunca tinha passado por uma catarse assim com obra de arte nenhuma. Foi estranho – e muito marcante. E ele, literalmente, mudou a minha vida.
2004 – Antes do pôr-do-sol
Fui ver esse filme no cinema sem ter visto o “Antes do amanhecer”. Fiquei tão encantada com aquele filme falado e falado e falado!… Entendi que, definitivamente, não se precisa de muito pra fazer uma obra-prima. E quando estive em Paris fui à Livraria Shakespeare & Co. e procurei algumas locações – foi quando me dei conta que nem sempre a sequência de locações é lógica.
2005 – Gatão de meia idade
Quando eu cheguei no Rio eu só tinha trabalhado com teatro. Daí surgiu a oportunidade de fazer figuração num longa-metragem. Fui pra ver como era. E me diverti muito, atazanei a equipe toda perguntando como tudo funcionava. E até hoje tem gente que me liga pra dizer que me viu no filme.
2006 – O Código Da Vinci
Em 2006, durante o lançamento do filme, eu estava em Paris. Via toda aquela multidão fissurada no Louvre e não tinha idéia do por quê. A sala da Monalisa então, parecia que esperavam pra ver a Madonna. Só fui ver o filme mesmo bem depois. E adorei. Se soubesse da história teria curtido mais o Louvre. Pelo menos tirei uma foto da inversão da pirâmide (sem querer).
2007 – Juno
Esse é o tipo de humor que me atrai. Ácido, quase negro. E esse é o tipo de filme que me atrai. Simples, inteligente, sagaz. Queria ter escrito essa história.
2008 – Wall.e
Estava entediada à tarde então resolvi ir ao cinema sozinha pela primeira vez na vida. Acho que nunca tinha visto um desenho tão poético. Me dei conta que ir ao cinema sozinha não é tão ruim e que se usa muito pouco lirismo na arte hoje em dia.



