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Um Lobo Nada Mau

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Re-estreou nesse final de semana (16 de maio) o musical infantil “UM LOBO NADA MAU”, de Roberto Athayde, no Teatro do Shopping Fashion Mall (e adivinha quem está no elenco?).

A peça é sobre uma garotinha que, após ficar no quarto escuro com os bichos malvados imaginários como castigo por ter beijado o focinho de seu cachorro, é salva por uma fada moderna que a leva para conhecer como são os bichos de verdade, livres, do Pantanal.

A direção é da Marília Pera e o elenco é formado por Ricardo Graça Mello, Maria Lucia Priolli, Roberta Rique, Claudio Gardin, Tatiana Athie, Elisa Colepicolo (!), Rafael Durand, Celio Rentroya, entre outros.

Arrume uma criança pra levar como desculpa e vá se divertir! ;)

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(Nas fotos: Ricardo e Roberta; Tatiana e eu)

 

 

UM LOBO NADA MAU

De Roberto Athayde

Direção Marília Pera

Teatro do Shopping Fashion Mall – São Conrado – Rio de Janeiro

Sábados, Domingos e Feriados – 17h.

"Toque-me, Sou Teu"

Existem algumas idéias que, depois que a gente fica sabendo, pensa “como-é-que-nunca-ninguém-tinha-pensado-nisso-antes?”. E essa é uma delas.

O artista Luke Jerram, da Inglaterra, teve a brilhante idéia de espalhar pianos pelas ruas, adesivados com o convite: “Toque-me, Sou Teu”. A idéia, colocada em prática em diversas cidades do mundo, veio ao Brasil através da Mostra Sesc de Artes 2008, com 8 pianos instalados pelas ruas da cidade de São Paulo.

O resultado não poderia ser melhor. As pessoas param para ver, conhecer, matar a saudade, tocar um pouquinho, se destrair e acabam fazendo amigos, se emocionando, acalmando do stress do trabalho, descobrindo uma nova paixão. Juntam-se velhos, crianças, empresários, moradores de rua, leigos, profissionais e todos cuidam dele pra que ninguém vandalize, pra que não tome chuva, pra que não estrague, pra que todos possam participar. Como é que nunca ninguém tinha pensado nisso antes?

A “instalação” de Jerram fica só até dia 18 de outubro, mas já rola uma manifestação popular para que “Deixem o Piano!”. E com razão. Não tem como não se emocionar no site do projeto, vendo as fotos, os vídeos, lendo os depoimentos. Não existe motivo pra que isso não vire uma (linda) rotina da cidade. E, que bonito seria, se a Prefeitura adotasse a idéia e espalhasse outros pianos, por tantos outros bairros. E que outras Prefeituras, de todo o Brasil, percebessem o quão brilhante e estimulante cultural e socialmente isso pode ser, e adotassem a idéia, comprando pianos e os espalhando por aí, nas ruas, ao alcance de todos. Quanto custa um piano pra uma Prefeitura diante do bem que ele trás pra população? Quase nada.

E não sai da minha cabeça: como é que nunca ninguém tinha pensado nisso antes? Deixem (mais) pianos!

Piano na Santa Cecilia - Por Felipe

(Acima, num dia à noite, pessoas se divertem com o piano no Largo de Santa Cecília. Foto do Felipe, retirada dos comentários do site do projeto)

Um filme para cada ano de vida

Seguindo o desafio do Rodrigo fiz minha lista de filmes importantes, um para cada ano de vida. Olhando a lista vai ficar claro, mas já adianto: meu ano de vida é o ano de lançamento do filme. Logo, certos anos com produções muito boas (especialmente 1994 e 2003) tiveram disputas acirradas e ótimos concorrentes foram sacrificados. Tudo em nome do equilíbrio total e da boa história.

Gandhimovie 1982 – Gandhi

Esse foi o primeiro filme sério que eu assisti. Devia ter uns 10 anos. O professor de história do colégio mandou. Eram duas fitas.  Lembro que assisti sozinha e que fiquei chocada. E nunca mais esqueci daquele velhinho simpático de túnica branca.

 

Flashdance 1983 – Flashdance

Simplesmente todas as meninas da minha geração usaram polainas por anos por causa desse filme. E dançaram, muito. Fiz até coreografia pra escola com a música do filme.

 

 

ahistóriasemfim 1984 – A História sem fim

Todo mundo que nasceu nos anos 80 viu e reviu esse filme muitas vezes. E todo mundo queria ter aquele cachorro gigante que voava. Eu, pelo menos, queria. E tinha curiosidade de conhecer o “Nada”.

 

edvoltaparaofuturo 1985 – De volta para o futuro

O início da clássica triologia do Robert Zemeckis. É de uma criatividade ímpar. Foi meu primeiro contato com esse diretor e roteirista, que se tornaria um dos meus preferidos. E a dublagem original era perfeita. Assisti muitas vezes (o 2 e o 3 também).

 

umdiaacasacai 1986 – Um dia a casa cai

Assisti uma vez só, mas nunca mais me esqueci dele, dos detalhes, da relação daquele casal, da obra. Depois me dei conta que a produção era do Spielberg – e filme que ele bota a mão dificilmente é “esquecível”.

 

 

umanoitedeaventuras 1987 – Uma noite de aventuras

Eu era fascinada por esse filme, por aquela babá irresponsável, por aquela menina aficcionada pelo Thor. Assisti na “Sessão da Tarde” muitas e muitas vezes mas passei anos sem saber o nome dele. Só descobri depois da invenção da internet.

 

querosergrande 1988 – Quero ser grande

Esse filme me apresentou o cara que é uma referência de atuação pra mim, talvez o melhor ator de todos os tempos (na minha opinião, claro): Tom Hanks. Talvez eu já tivesse o visto antes, mas foi aqui que eu realmente reparei nele.

 

ilhadasflores 1989 – Ilha das Flores

Assisti esse curta na escola. Descobri com ele que existiam curtas-metragens, que eles poderiam ser muito bons e que o mundo está longe de ser justo.

 

 

nikita 1990 – Nikita

Conheci o trabalho do Luc Besson já “velha”. E fiquei apaixonada pela poesia das suas histórias. E virei fã especialmente deste e de “O Profissional”.

 

 

afamiliaadams 1991 – A família Addams

Esse filme foi um hit da minha geração. E eu descobri o humor negro. Depois, quando virei adolescente, ganhei o apelido de Vandinha (ou Wednesday). Ou seja, mesmo se eu não quisesse ele influenciaria minha vida.

 

 

waynes_world1992 – Quanto mais idiota melhor

Esse filme coroou a chegada da MTV ao Brasil – até porque os atores eram os queridinhos da MTV americana na época. Não tinha como não pegar os bordões bobos do filme bobo que era o hit da Music Television. E ainda editaram o clipe de “Bohemian Rhapsody” do Queen com cenas do filme!

 

feitiçodotempo 1993 – Feitiço do tempo

A primeira vez que eu vi esse filme, peguei ele no meio. Não me conformei e assisti de novo. E como gostei, vi mais uma vez. E depois mais outra. E mais outra. Eu tinha me rendido ao Bill Murray e aos roteiros de realidade fantástica.

 

forrest gump 1994 – Forrest Gump

Vi esse filme no cinema com minha mãe. Gostamos tanto que saímos da sessão direto pra loja de discos, comprar o K7 da trilha sonora. E eu realmente gostei tanto que esse passou a ser o filme que mais vi na vida (perdi as contas quando estava na casa das 40 vezes). E meu primeiro disco de trilha sonora.

se7en 1995 – Se7en

Meu primeiro suspense visto no cinema. Foi de uma tensão terrível. E no final um dos caras amigo-de-um-amigo que estava com a gente contou o final do filme bem alto, de propósito, na porta do cinema, ao lado da fila da próxima sessão – foi quando aprendi a odiar “spoilers”.

 

trainspotting 1996 – Trainspotting

Quando lançaram esse filme eu não vi, não me interessei. Mas eu tinha uma amiga que era toda cult de pai e mãe e que adorava o filme e a trilha sonora. Anos depois, quando assisti, fiquei impressionada de ela, tão nova, ser fã de um filme como esse. E entendi que eu fui uma adolescente ingênua, muito ingênua.

titanic 1997 – Titanic

Foi a primeira vez que encarei um blockbuster no cinema. Compramos os ingressos com dois dias de antecedência e tivemos que sentar lá na frente, porque o cinema estava lotado. Quando o navio começou a afundar eu parei de comer a pipoca. E só consegui continuar quando saí da sala.

cidadedosanjos 1998 – Cidade dos anjos

Vi esse filme no cinema. Achei lindo. E fiquei fissurada no cabelo da Meg Ryan. Um dia fui cortar o cabelo e levei, por acaso, uma revista com a foto dela em cena. Mostrei pra cabelereira e falei “queria ter o cabelo assim”. Ela disse que dava. E eu descobri, aos 16 anos, que meu cabelo não era liso.

beijgjohnmalkoich1999 – Quero ser John Malkovich

Achei uma loucura esse filme quando assisti pela primeira vez. Nem sequer reconheci a Cameron Diaz. Mas adorei. E incluí o Charlie Kaufman na minha lista dos caras mais criativos do mundo.

 

 

snatch 2000 – Snatch! Porcos e Diamantes

Não sei dizer exatamente por que eu gosto desse filme nem por que ele me marcou. Mas marcou. Acho tudo genial, as interpretações, a montagem, o roteiro, a direção. Não sei por quê mas eu sempre me lembro dele. Especialmente do cachorro que buzina.

 

ofabulosodestinodeameliepoulain 2001 – O fabuloso destino de Amélie Poulain

Demorei pra ver esse filme. Sempre acontecia alguma coisa que não me deixava ver. E quando vi achei encantador. Tanto que quando fui à Paris fiz questão de ir no Sacré-coer  e no café do filme.

 

durvaldiscos 2002 – Durval Discos

Comecei a assistir a esse filme achando que seria perda de tempo. Mas logo nos créditos iniciais achei que poderia estar errada. E estava. Muito. Talvez seja o melhor filme nacional que já vi. E a trilha sonora é, do início ao fim, um primor.

 

dogville 2003 – Dogville

Entrei no Cine Paissandu pra ver esse filme sem saber do que se tratava. No meio da sessão eu já tava aos prantos. No final e mal conseguia me mexer. Passei o resto da noite catatônica, em choque. Nunca tinha passado por uma catarse assim com obra de arte nenhuma. Foi estranho – e muito marcante. E ele, literalmente, mudou a minha vida.

 

antesdopordosol 2004 – Antes do pôr-do-sol

Fui ver esse filme no cinema sem ter visto o “Antes do amanhecer”. Fiquei tão encantada com aquele filme falado e falado e falado!… Entendi que, definitivamente, não se precisa de muito pra fazer uma obra-prima. E quando estive em Paris fui à Livraria Shakespeare & Co. e procurei algumas locações – foi quando me dei conta que nem sempre a sequência de locações é lógica.

gataodemeiaidade 2005 – Gatão de meia idade

Quando eu cheguei no Rio eu só tinha trabalhado com teatro. Daí surgiu a oportunidade de fazer figuração num longa-metragem. Fui pra ver como era. E me diverti muito, atazanei a equipe toda perguntando como tudo funcionava. E até hoje tem gente que me liga pra dizer que me viu no filme.

ocodigodavinci 2006 – O Código Da Vinci

Em 2006, durante o lançamento do filme, eu estava em Paris. Via toda aquela multidão fissurada no Louvre e não tinha idéia do por quê. A sala da Monalisa então, parecia que esperavam pra ver a Madonna. Só fui ver o filme mesmo bem depois. E adorei. Se soubesse da história teria curtido mais o Louvre. Pelo menos tirei uma foto da inversão da pirâmide (sem querer).

juno 2007 – Juno

Esse é o tipo de humor que me atrai. Ácido, quase negro. E esse é o tipo de filme que me atrai. Simples, inteligente, sagaz. Queria ter escrito essa história.

 

 

walle 2008 – Wall.e

Estava entediada à tarde então resolvi ir ao cinema sozinha pela primeira vez na vida. Acho que nunca tinha visto um desenho tão poético. Me dei conta que ir ao cinema sozinha não é tão ruim e que se usa muito pouco lirismo na arte hoje em dia.

Reciclando

Quando eu era criança eu brincava com minha cumadre Dô de redublar os filmes que passavam na tevê. A gente ficava sentada no sofá, tirava o som, e ficava inventado histórias malucas com aquelas personagens. Claro que era muito divertido, mas até aí quando a gente é criança toda tiração de onda é divertida.

Como eu entrei pro teatro aos 11 anos – porque era uma ostra de tão tímida – acabei pegando gosto pela coisa e nunca parei. Fiz umas pausas, mas parar mesmo, nunca. E quando mudei pro Rio comecei a diversificar o aprendizado – que até então ficava só no palco italiano, aquele clássico de teatro, com texto, cenário e figurino, tudo padrão.

A primeira mudança foi um curso de interpretação pra tevê. Foi quando eu entendi que veículos diferentes têm linguagens diferentes. Aprendi logo na primeira aula, com uma crítica dura e bem feita, que não dava pra convencer ninguém na tevê que uma garota de 17 anos é uma mulher de 50. Não sem muita maquiagem. E depois fui aprendendo a ser mais natural, mais espontânea, mais televisiva.

A segunda mudança foi experimentar o cinema. Entendi que no cinema, diferente do teatro e da tevê, tudo demora muito tempo, é tudo muito picotado, requer muita concentração e paciência – e cansa. Pra filmar 5 minutos de curta-metragem gasta-se um final de semana inteiro. Adorei as experiências, mas infelizmente foram menos do que eu gostaria.

A terceira mudança foi aprender a técnica universal de interpretação. Como não fiz graduação em artes dramáticas, tudo o que eu tinha aprendido até então era totalmente empírico, prático. Por um lado é bom, mas por outro, a falta da teoria a gente só percebe quando aprende a dita cuja e quando vê que pode dominar, através dela, coisas que até então eram puramente instintivas. E a sensação é ótima.

A quarta mudança foi aprender a me expôr e a errar. Por mais óbvio que isso possa parecer quando se fala de arte dramática, é uma das coisas mais difíceis de fazer e que, se duvidar, a gente leva a vida toda pra dominar (confesso que eu tenho grandes dificuldades nessa).

A quinta mudança foi aprender a interpretar sem usar o corpo – o que, de alguma forma, é técnica de inflexão de texto. Comecei participando de um espetáculo de poesias e acabei aperfeiçoando no trabalho de dialogue coach, ou treinadora de diálogos (fazer os outros personagens em cena para um ator poder decorar seu papel). Aprendi a ler de forma mais dinâmica sem perder as nuances da história, expressando as emoções sem forçar nada pra isso.

E essa quinta mudança acabou me levando pra uma sexta, a atual, que acabou sendo uma volta às origens: a dublagem. Estou fazendo um curso pra aprender a dublar – ou melhor, fazer “versão brasileira”: viver uma personagem como outra atriz já viveu, usando as intenções dela mas do meu jeito, dando, através da minha voz, vida pra imagem dela. E digo que é difícil. Muito mais do que parece. Porque requer concentração, técnica e, acima de tudo, espontaneidade.

Todas essas mudanças são graduais e lentas, mas muito gratificantes, e uma vez começadas acho que nunca se encerram. Qual a próxima ou pra onde vão me levar, sabe lá. Acho que agora, mais do que nunca, eu tou entendendo que esse caminho não termina nunca. Quem sabe essa não é a sétima mudança?

Thaice

Ontem passei o dia com uma amiga, montando o site dela. O nome dela é Thaice Medeiros e ela é uma figurinista.

O site dela tá ficando lindo (claro que ainda faltam algumas fotos), e não tinha como não: o traço dela é dos mais lindos que eu conheço e ela é de um capricho raro de se ver.

Dá uma passada no site pra dar uma olhada. E se precisar de uma figurinista, a recomendação é ótima! ;)

Cartaz de

PS: (Em 2005 ela criou os croquis do figurino de um projeto meu que acabou não saindo – A Gaivota, de Antón Tchekhov. Mas como chegou no quase [uma leitura dramatizada] cheguei a montar o que seria o cartaz do espetáculo, que é esse aí acima. Ia ficar um arraso o figurino completo…)

Relação Magnética

Essa é a primeira escultura que eu e o Julio fizemos juntos.

É uma peça feita com metais e imãs, e é interativa – as chapinhas podem ser mudadas conforme o gosto do freguês.


Quem?

Elisa Colepicolo, ou Lili, é blogueira desde 2003, faz de tudo um pouco mas dificilmente o que não gosta. Chegada em arte, cultura inútil e viagens. Casada, entusiasta e feliz.

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