E então ontem, 2 de outubo, o Rio de Janeiro ganhou o direito de seriar os jogos olímpicos de 2016. Claro que o carioca comemorou. Mas também viu com muitas dúvidas a tal empreitada.
(comemoração na praia de Copa – fonte: The New York Times)
Era sexta-feira, a praia de Copa estava fechada desde a manhã, o dia era ponto facultativo no serviço público e isso tudo misturado deu um nó na cidade. O trânsito estava péssimo o tempo inteiro, pra qualquer lado, independente do horário. E isso só por causa de uma festa – que ainda tinha a possibilidade de miar – bem num dia útil.
Aí que o carioca se pergunta: e como é que a gente vai conseguir receber um monte de gente e eventos simultâneos num Rio assim?
Assim, não vai. É por isso que, ou esse projeto que criaram para a cidade sediar os jogos muda tudo por aqui ou 2016 vai ser um caos.
Conheço muito carioca preocupado com isso. Diz “mas tem tanta coisa mais importante pra fazer pelo Rio do que um monte de intalação esportiva!…”. E tem mesmo. E pelo que soube o projeto aposta nisso: cerca de 40% dos investimentos vão pro transporte, a polícia vai ser mais do que reforçada, e uma reforma completa no funcionamento da cidade está a caminho. O que significa que, assim como Barcelona antes dos jogos de 1992, o Rio vai se tornar um imenso e caótico canteiro de obras até 2016. Vai ser chato, estressante, mas acho que é igual xarope amargo – ruim na hora pra ficar bom depois. E esse é o maior desafio dos governos, na verdade: fazer o Rio ganhar com isso mais do que os tais equipamentos esportivos – ganhar um “depois”.
A educação do povo, acho mais do que provável, que mude. Vai se falar mais em esporte com as crianças. E com isso, elas vão praticar mais, aprender a socializar e ter responsabilidade. Vão sonhar em participar dessa festa. E se o governo incorporar isso nas escolas, melhor ainda.
Ainda tem a violência, claro. Mas te digo que, apesar da fama, o Rio não é mais violenta do que São Paulo ou outras grandes cidades brasileiras. Eu, por exemplo, morei 17 anos em Sampa e fui assaltada 5 vezes, fui até refém com arma na cabeça, enquanto aqui no Rio, já completando 10 anos, nunca me aconteceu nada. Pode ser sorte, mas a questão é que a violência desenfreada de hoje é mais do que um problema carioca – é um problema nacional. Vamos torcer pra que esse projeto de olimpíadas faça algo pela nossa parcela do problema e – por que não? – por outras parcelas também.
Se vai ser bom ou ruim, se estamos sonhando alto demais ou se a gente vai tomar o maior tombo nessa história, a gente tem sete anos pra descobrir. Só sei que eu, da minha parte, vou colaborar com o que pedirem pra que dê certo. Afinal, se é pra melhorar, sete anos passam voando!
(PS: Não dá pra deixar de comentar a gaiatice (como diria Ancelmo Góis) do nosso povo, né? Claro que não iam deixar passar uma piada dessas! rs…)
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ATUALIZAÇÃO (04 de outubro de 2009):
Pra quem ficou curioso/interessado, O Globo publicou a lista de promessas para as Olimpíadas. Tá aqui ó.
Se tudo acontecer mesmo o Rio vai ficar uma cidade massa! ;)



