Eu saí de casa aos 17 anos. Deixei pra trás minha família, costumes, comodismos e, claro, amigos de uma vida inteira (mesmo que ainda tão curta). Claro que eu não tinha essa clareza toda, de que meus amigos estavam ficando pra trás. Na minha cabeça de viajante, de deslocante, um mundo novo se abria à minha frente, não fazia muito sentido pensar no que estava ficando naquela cidade que foi meu berço e que me preparou para a nova empreitada. Até porque, de alguma forma, pensava em manter fortes os vínculos – minha família toda estava ficando, como não? – e, por que não, voltar quando terminasse a faculdade.
Na cidade nova, vida nova. E sempre que começamos alguma coisa estamos abertos às novidades. Me apaixonei pelo Rio, pelos novos costumes, arrumei novos comodismos e, claro, fiz novos – e grandes – amigos. E agora, por estar longe “de casa”, meu amigos se tornaram minha nova família.
Os anos se passaram, a faculdade acabou e eu não voltei “pra casa” – agora eu tinha uma outra casa. E esses grandes amigos, que eu fui “colecionando” aqui, que formaram a base da minha nova vida, começaram a pensar em mudanças, da mesma forma que eu fiz, precocemente. E foi então que eu senti na pele o que sentiram os que me amavam e me tinham como família e amiga quando eu disse, alegremente, que estava partindo.
Três já se foram (uma pra Minas, um pro sul e outra pra Europa), dois deles quase ao mesmo tempo, este ano. E agora mais um se prepara para ir (pra Europa também).
Eu tenho me sentido triste, como se os membros da minha família estivessem saindo de casa. Por mais que eu saiba que, pra eles, é um mundo novo de descobertas que se abre alegremente e que não vale a pena pensar no que está ficando pra trás, dá uma dorzinha chata, sabe?
Eu desejo muito que eles sejam tão felizes quanto eu fui quando saí de casa. Mas vou sentir muitas saudades. Isso eu vou.




