Depois de 6 meses morando com os velhinho no apartamento da Prado Junior e muitas participações passivas em brigas, resolvi que precisava sair de lá.
Comecei procurando apartamento no bairro ainda. O primeiro foi na própria Prado Júnior. Era na quadra da praia, num prédio com muitos comércios em baixo. Tinha um hall de elevadores aberto ao público e corredores imensos, com muitas portas. O apartamento pequeno, barulhento (mesmo sendo em andar bem alto), mas tinha vista pro mar. Não dava pra morar sozinha naquele lugar completamente desprotegido.
O segundo foi numa outra galeria, pros lados do Arpoador, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. Quando passei pelo corredor quase desisti de entrar no apartamento: era como o da galeria da Prado Júnior, mas tinha puta fazendo ponto no corredor. Claro que não dava pra mim – o apartamento.
O terceiro, o quarto, o quinto… todos em Copa. Todos pequenos demais, caros demais, mal localizados demais, barulhentos demais, assim mesmo, tudo junto. O bairro tem dessas coisas porque os apartamentos que eram simples pontos de apoio pras famílias que queriam ir à praia nos finais de semana, na época áurea de Copa, foram vendidos quando o bairro valorizou, nos idos dos anos 50. Então são apartamentos inabitáveis (já que não eram feitos pra isso mesmo) que se fingem de chiques. Se bem que nem fingir eles conseguem mais.
Depois de muito olhar jornal e rodar o bairro todo comecei a cogitar mudar de arredores. Olhei Botafogo, olhei Flamengo, e até Ipanema, mesmo sem cacife pra isso. E nada. Então um dia, na universidade, um amigo que sabia da minha procura disse que a família da namorada dele tinha um quarto e sala disponível na Glória. Não tava achando nada mesmo… por que não?
Eu nunca tinha ido pra Glória. Não conscientemente. Fui com ela, a namorada, de metrô. E botei isso na listinha dos pontos fortes: metrô na rua de casa. Fomos subindo a rua e eu estranhando tudo. Passamos por um paredão esquisitíssimo e o prédio ficava bem em frente. Entrei. Olhei. Fiquei encantada.
Depois, conversando com ela, a lista dos pontos fortes foram aumentando: o muro na frente do prédio era de um hospital; na rua tinha padaria, banca de jornal, mercado de frutas, locadora; o apartamento, todo equipado com armários embutidos, me isentava da compra de quase todos os móveis; eu não precisaria de fiador; o aluguel e o condomínio era pouco mais caro do que o quarto que eu alugava; e o melhor: não precisaria morar com velhinho nenhum.
Topei.
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