Arquivo para Julho, 2008

Quando eu cheguei no Rio – parte 3

Morar em Copacabana é uma experiência. Tem gente que se apega e vive isso todos os dias. Pra mim seis meses foram o suficiente.

Eu morava na rua Prado Jr, no segundo quarteirão. Meu prédio, quase que por milagre, não tinha comércio em baixo. Um prédio aparentemente dos anos 60, construído por um engenheiro que não ligava a mínima pra funcionalidade. A área do tanque ficava em cima de um platô, o que dificultava muito a movimentação de lavanderia e a passagem pela área de serviço. O corredor dos quartos era escuro, fino e imenso, dígno de filme de terror (especialmente quando eu topava com a velhinha maluca, de cabelos soltos até a cintura, em plena madrugada). E apenas um banheiro enorme, para três quartos pequenos, que viam-se uns aos outros pelas janelas.

A janela da sala, como em quase todos os prédios de Copacabana. dava de frente para as janelas de outro prédio. No caso desse, dava para o quarto-e-sala de uma trinca de travestis. Então, todos os dias, por volta das seis da tarde, eu os (as?) assistia penteando suas perucas, fazendo maquiagem, apertando seus corselets. Um evento.

Na rua, pelo menos cinco inferninhos, sendo o maior e mais conhecido o Barbarela, no cruzamento com a rua Ministro Viveiro de Castro, bem em frente à non-stop (e sem portas) Farmácia do Leme. A vantagem disso, acredite se quiser, é a segurança. Ninguém mexe com mulher nenhuma numa rua de prostituição (por isso o Pão de Açucar 24h da Viveiro é tão bem frequentado às 3h da manhã).

Mas, pra uma garota vinda da periferia de São Paulo, tinha ainda um incômodo de morar em Copa. Porque ali ninguém se conhece, todo mundo é só passante, porque o barulho é muito, a poluição visual é muita, a baderna é muito urbana, e mesmo ao lado da praia, confunde.

Com a decisão de sair da casa dos velhinhos eu comecei a procurar outros lugares. Afinal, estava na hora de deixar de ser cobaia das experiências do meu pai, dos velhinhos e de Copacabana.

Quando eu cheguei no Rio – parte 2

Eu e meu pai já tínhamos procurado repúblicas e apartamentos pra alugar, mas com uma semana de prazo e sem fiador na cidade fica bem difícil. Daí meu pai achou um anúncio no jornal. Era um quarto, pra moça solteira, na casa de uns velhinhos em Copacabana. Fomos lá ver e ele achou tranquilo. Não era o que eu esperava do começo da minha vida acadêmica, mas eu não tinha escolha. Acertamos o valor e as regras de convivência e eu me mudei.

No início aquela senhora espanhola, seu irmão e sua “amiga” venezulana me pareciam tranquilos. Como eu passava grande parte do meu dia na universidade, tudo bem. As regras de convivência eram rígidas e estranhas, como eu não poder deixar nada meu no banheiro, não poder entrar em casa pela porta da sala, só poder usar uma prateleira da geladeira, entre tantas outras. Fora que todos os dias eu acordava com cheiro de fritura, já que elas faziam salgados pra distribuir pra lanchonetes. A espanhola e a venezuelana trabalhavam nisso e o espanhol… bem, vai saber.

Mas depois do primeiro mês eu descobri que havia mais uma moradora na casa. E que ela fugia de mim. Era a esposa do espanhol, uma senhora muito idosa, também espanhola, que dormia no último quarto do corredor, logo depois do meu.

Com o tempo ela se acostumou comigo e começou até a gostar de mim. Até me chamava de boneca. Mas encontrar com ela de madrugada no corredor, com os cabelos brancos soltos até o quadril, era quase um filme de terror. Fora que ela se recusava a entender que o único banheiro da casa não podia ser ocupado eternamente justo no meu horário de saída pra universidade e que minhas ligações eram pagas por mim, então ela não deveria interrompê-las no meio. Na verdade, eu demorei pra entender que o problema dela era muito maior do que eu pensava.

Ela, a esposa do espanhol, não se dava com a venezuelana. Nunca entendi quem diabos era aquela venezuelana e nem como a discórdia começou, mas logo de cara entendi que era sério. As duas só se falavam aos berros, jogando na cara uma da outra coisas das mais bizarras, usando os palavrões mais baixos possíveis. Aparentemente a espanhola acusava a venezuelana de ter algo com seu marido e de viver com eles de favor. Mas a venezuelana desmentia e, numa dessas discussões, chegou a pegar o contrato de locação do apartamento para me mostrar que ela é que era a locatária. Não que eu quisesse saber, mas a irmã ficava tão desesperada quando elas começavam a brigar que acabava gritando por mim, para ajudar a apartar as brigas, que chegavam aos tapas e rasga-roupa.

Com essa vida, minha situação naquele apartamento na Prado Jr. foi ficando cada vez mais insustentável. Saía de manhã e não tinha vontade de voltar pra casa. Quando voltava acabava envolvida nos problemas daquela família esquisita que me cerceava, brigava entre si e nem era minha.

Foi quando, certa manhã, acordei com a esposa gritando na porta do meu quarto. Ela xingava a venezuelana de tudo e mais um pouco. E nem eram 8 horas ainda. Saí sem tomar café e só voltei na hora do almoço. Ela ainda continuava lá, na porta do meu quarto, gritando descontroladamente. Voltei pra rua, fui ao cinema, fiz hora até à noite. E quando, enfim, voltei pra casa, tudo estava quieto. Mas ao entrar no corredor me deparei com a esposa, ainda em fúria, completamente rouca, na porta do meu quarto. Ela não tinha mais voz mas tinha passado o dia todo ali.

Depois daquele dia eu comecei a procurar apartamento e acabei me mudando pra fora de Copacabana. Achei que sentiria falta, mas nunca senti. Porque a gente se acostuma com qualquer coisa? Talvez. Eu, definitivamente, aprendi a me acostumar com coisas bem melhores.

Quando eu cheguei no Rio – parte 1

Eu mudei pro Rio de Janeiro em 2000, pouco antes do carnaval. Conhecia muito pouco da cidade, tinha vindo passear uma vez, depois prestei vestibular pra Unirio e vim mais uma ou duas vezes, já pra procurar apartamento. E não foi nada fácil.

O Rio é difícil pra quem não conhece bem a cidade e procura aonde morar. Porque diferente de São Paulo, por exemplo, os arredores bons e ruins não são separados. Todo bairro do Rio tem sua área trash. E bem trash mesmo.

Claro que foi onde eu fui parar.

Cheguei de mudança, com as caixas no carro do meu pai, numa sexta no final da tarde. O quarto que a gente achou pra mim era em Copacabana e Copacabana-não-pode-ser-ruim. Pois eu não tinha a menor idéia que a Rua Prado Jr. era o centro da prostituição da zona sul do Rio de Janeiro e que um quarto lá não era o lugar mais adequado pra uma universitária de 17 anos recém-chegada. Meu pai quase surtou quando paramos o carro e ele notou as moças paradas nas esquinas, começando a jornada. Quase desistiu. Mas não tínhamos como, o quarto já tava pago e a mudança no porta-malas.

Na verdade foi menos pior do que nós pensamos. A Prado Jr. é a área mais movimentada do bairro. Funcionamento 24/7, sabe? E com as boates todas, tem leões-de-chácara por toda a região, o que faz com que a vizinhança seja segura. Diferente, mas segura.

Acabei me acostumando com tudo aquilo. Ia pro supermercado duas horas da manhã, comprar doces pra comer enquanto fazia os trabalhos de faculdade, sem medo. Ia passear na praia, ficava sentada nos bancos do calçadão lendo, e sabia que quem é dali “é da casa”.

Mas o fato de acostumar com alguma coisa não faz dela boa. E, no meu caso, o apartamento onde eu morava contribuia – e muito – pras coisas não serem o paraíso.

(…)

Windows Live Writer

Por acaso baixei o Windows Live Writer. Nem me lembro como. Tanto que me esqueci completamente dele. Hoje, fuçando tudo pra ver o que era lixo, achei. E resolvi configurar, testar, ver se presta.

Aparentemente é bom, facilita postar. O design dele é bonito e funcional. Tem a opção de mostrar imediatamente como vai ficar o post quando estiver online, o que é ótimo porque às vezes o editor do WordPress engana. E dá pra criar contas diversas, o que significa que dá pra usar o mesmo editor pra blogs e serviços diferentes.

Como ainda não testei tudo, não sei o quanto é melhor que ir direto na página de edição, na internet. Mas me parece bem mais prático e fácil por aqui.

Você pode baixar aqui ou aqui. E me conta depois o que achou.

Novidades

Duas novidades por aqui:

:: O cabeçalho mudou. E deve mudar mais, de vez em quando, já que ando com tempo pra essas coisas. Sugestões são bem-vindas.

:: Terminei de configurar meu Flickr. O que significa que agora você pode ver fotos minhas aqui. (Coloquei na barra lateral, pra ficar mais fácil)

É isso. Aproveitem! ;)