Morar em Copacabana é uma experiência. Tem gente que se apega e vive isso todos os dias. Pra mim seis meses foram o suficiente.
Eu morava na rua Prado Jr, no segundo quarteirão. Meu prédio, quase que por milagre, não tinha comércio em baixo. Um prédio aparentemente dos anos 60, construído por um engenheiro que não ligava a mínima pra funcionalidade. A área do tanque ficava em cima de um platô, o que dificultava muito a movimentação de lavanderia e a passagem pela área de serviço. O corredor dos quartos era escuro, fino e imenso, dígno de filme de terror (especialmente quando eu topava com a velhinha maluca, de cabelos soltos até a cintura, em plena madrugada). E apenas um banheiro enorme, para três quartos pequenos, que viam-se uns aos outros pelas janelas.
A janela da sala, como em quase todos os prédios de Copacabana. dava de frente para as janelas de outro prédio. No caso desse, dava para o quarto-e-sala de uma trinca de travestis. Então, todos os dias, por volta das seis da tarde, eu os (as?) assistia penteando suas perucas, fazendo maquiagem, apertando seus corselets. Um evento.
Na rua, pelo menos cinco inferninhos, sendo o maior e mais conhecido o Barbarela, no cruzamento com a rua Ministro Viveiro de Castro, bem em frente à non-stop (e sem portas) Farmácia do Leme. A vantagem disso, acredite se quiser, é a segurança. Ninguém mexe com mulher nenhuma numa rua de prostituição (por isso o Pão de Açucar 24h da Viveiro é tão bem frequentado às 3h da manhã).
Mas, pra uma garota vinda da periferia de São Paulo, tinha ainda um incômodo de morar em Copa. Porque ali ninguém se conhece, todo mundo é só passante, porque o barulho é muito, a poluição visual é muita, a baderna é muito urbana, e mesmo ao lado da praia, confunde.
Com a decisão de sair da casa dos velhinhos eu comecei a procurar outros lugares. Afinal, estava na hora de deixar de ser cobaia das experiências do meu pai, dos velhinhos e de Copacabana.



