Arquivo para Maio, 2008

Desordem e Progresso

Tem certas coisas que a gente nem percebe mas atravancam a vida que só. Eu tou (re)descobrindo o que atravanca a minha. E uma das coisas que eu descobri é que minha criação de paulistana-da-periferia-de-família-classe-média-de-comerciantes me trava. Isso porque eu fui criada para sorrir, não expressar emoções “ruins” e servir bem para servir sempre. E esse tipo de comportamento vai contra o “seja você mesmo”, “não engula sapo gordo demais”, “batalhe loucamente pelo que você quer”.

Descobri há pouco tempo que eu não encaixo na faixa das pessoas que podem contar com o “dinheiro fácil” do trabalho em cinema publicitário. Tudo por causa de uma característica específica do meu rosto. Que, aliás, não desabona em nada a minha capacidade de trabalhar nem me deforma. Mas que não serve no geral para se passar uma imagem perfeita para um produto perfeito. E, claro, isso bateu de frente com o falso ideal de perfeição que eu sempre carreguei, resquício da criação-princesa que eu tive. E me levou pro chão sem eu nem perceber.

Passei os últimos meses desestimulada do trabalho sem saber por quê. O prazer simplesmente havia sumido. Ontem caiu a ficha.

Foi só ontem que entendi (de verdade, conscientemente) que ninguém é perfeito, que agradar a todos é impossível, não encaixar numa categoria não me desmerece em outras, que se eu não me manifestar e não sair da concha vou continuar presa dentro dela. E que sorrir e servir-bem-para-servir-sempre não podem ser regras de vida. Definitivamente.

É difícil romper com o que já está enraizado. Dói, dá insegurança, dá medo. Mas precisa ser feito. Senão não tem progresso. Porque dizer “eu sou assim” não encaixa numa filosofia de vida que você é o que menos incomoda os outros: assim é como os outros vêem você, não como você se vê.

O primeiro passo foi entender, o segundo está sendo esclarecer. Agora é efetivamente botar na prática.

Será que vai dar pé? Vai dar pé.

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PS: Não renego, de forma alguma, minha criação. Meus pais são uns fofos e sempre fizeram de tudo pra me ver feliz – um dos motivos de eu ser tão mimada. Mas tem certas coisas que estão fora da redoma. E é isso que eu tou tentado achar.

E finalmente, o Cubo!

Terminei finalmente o Cubo Mágico!

Não foi hoje, foi na sexta, 23 de maio, depois ver e rever o tutorial (excelente) várias vezes, de desfazer e refazer tudo até dar certo.

Por mais que tenham as fórmulas todas, não é tão fácil como parece. Não confundir a direção de direita e direita linha às vezes é difícil, e quando você vê o cubo bagunçou todo e é preciso refazer tudo de novo. A vantagem disso é que a prática ajuda a memorizar os mecanismos. Depois de refazer inúmeras vezes as etapas intermediárias por errar as finais acabei ganhando uma certa fluência nelas.

Ele, pela primeira vez desde que eu comprei e desorganizei, ficou assim:

Vai ficar assim por um tempo, como um troféu, e depois volto a tentar desfazer-e-fazer pra ver se aprendi. Acho que vou demorar pra me desfazer da cola e poder impressionar as pessoas, mas um dia eu chego lá.

Desculpa étnica

Se eu e mais um grupo de 30 pessoas resolvêssemos entrar em um congresso (ou qualquer lugar público) armados com facões e lanças com certeza seríamos detidos. Mas índio pode(?).

ETNIA NÃO JUSTIFICA LIBERDADE PARA VIOLÊNCIA!

As armas podem ser importantes nas tribos, no meio da mata, mas se eles são considerados Cidadãos Brasileiros como todos nós, têm que seguir as mesmas leis e regras de convivência em área civil.

Feriu, espancou, sequestrou: tem que ser preso. Está na Constituição, no Código Civil, no Código Penal: É a lei para todos os cidadãos. Tem que ser também para os índios.

Primos (não mais tão) distantes

Quando eu saí de São Paulo, em 2000, o trânsito já tava ruim. Mas isso foi há 8 anos. Agora, o trânsito em São Paulo é inviável. E o que me preocupa é que o Rio está indo pelo mesmo caminho.

Hoje, pra sair da Sá Ferreira, em Copa, e chegar ao Humaitá pelo túnel velho, eu demorei um século. Infelizmente não contei no relógio. Mas tenho como referência o valor do táxi: na ida, que eu não peguei trânsito, deu 10 reais e na volta, com a Nossa Senhora de Copacabana lenta e o túnel velho parado (sem motivo) deu 16 reais. É quase o dobro da grana, o que deve significar que foi quase o dobro do tempo.

A razão pra isso tá na nossa cara: desorganização. Tem que repensar a logística cidade. Essa história de proibir carga e descarga em horário de pico nas vias problemáticas é um bom começo, mas tem que botar pra funcionar e tem que fazer mais. Tem que repensar onde pode estacionar e onde não, quais linhas de ônibus têm que ser extintas e quais têm que ser criadas, quais sinais tão com tempo errado, quais ruas têm que mudar de mão. E o metrô, claro. Que tá andando tartarugamente e é importantíssimo pra acabar com isso.

Só sei que, se a gente não arrumar a casa logo a gente vai virar a prima bonita de São Paulo. E não adianta nada ser bonita mas inútil.

Caracol

É o seguinte: minha irmã me perguntou como poderia fazer um site de forma fácil. Eu, usando como referência a Liv, indiquei o WordPress.

Mas aí fiquei pensando com meu cubo mágico: por que diabos eu não faço um pra mim também?

Como eu tinha acabado de montar o Sinhá Lili e já tinha o meu de trabalho no Book.fr, resolvi botar a casa nas costas e trazer tudo pra cá. Os posts tão com a data original no começo do texto, pra não peder a referência, e aos poucos vou trazendo mais conteúdo pra cá, como as fotos e os links, por exemplo. Mas tudo ainda continua lá, mesmo assim. O Sinhá Lili vai ser inutilizado, mas o Book.fr continua firme e forte.

Enfim. Bem-vindos à minha nova casa. :)

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PS: A Liv, a santa Liv, me contou que dá pra impotar tudo do Blogger pra cá. Pois foi o que eu fiz. Tanto os posts do Sinhá Lili como os do Trecos e Afins agora tão aqui, e com a data correta. É só fuçar!

Calças

Eu tenho um problema sério pra comprar calças. Porque eu não tenho corpo de brasileira nem de americana e nem de européia. Meu problema – sempre – é que sobra na cintura e falta no quadril e nas coxas. Fora que, teoricamente eu uso 40, mesmo tendo as mesmas medidas de uma amiga minha, alguns centímetros mais baixa, que usa 38. A diferença? Eu tenho mais coxa.

Aí você imagina o saco que é sair comigo pra comprar uma calça jeans. Rodo milhões de lojas, experimento todas as calças possíveis pra não ter possibilidade de escapar uma oportunidadezinha. Mas nada. Ou a bunda fica amassada, ou a cintura sobra demais, ou simplesmente não entra ou fica larga.

E pra complicar mais ainda tem a moda. A da vez é a skinny. Aquela calça que é mais do que uma cigarrette, é uma cigarrette fechada à vácuo. Inventada, claro, por estilistas que pensam nas passarelas e suas modelos esqueléticas. Mas o mundo – felizmente – não é esquelético e o corte dessa calça cai mal, muito mal, em 80% das pessoas que vejo com elas. Mas elas ocupam 80% das vitrines e coleções, o que complica muito a busca pela calça que sirva.

Enquanto rodo, fico com os vestidos.

Cidade Maravilhosa

Tá lá no Carioquíssimo (que voltou à ativa essa semana) um vídeo incrível do Rio de Janeiro em 1936, feito pela MGM.

Ah, se a gente tivesse continuado nesse caminho!…

Ainda o cubo

Comecei no dia do post sobre o cubo (12/05) a tentar montar o meu.

Fazendo até o vídeo 3 o meu ficou assim:

Aí, hoje (15/05) continuei mais um pouco. Terminei o vídeo 5 e fiquei assim:

Já vi que dá pra terminar – não tão rápido quanto aquele japa, que além do mais faz isso vendado.

Volto quando avançar.

O milagre de São Twitter

Eu fiquei um bom tempo sem escrever. Porque minha vida mudou bastante quando eu me separei e me casei de novo, e daí, com vida nova, fica difícil pensar em outra coisa que não a organização da vida nova.

Aí quando comecei a baixar a poeira e pensar em escrever de novo, mudei de trabalho. Na verdade a coisa não funciona bem assim já que eu sou freela e os trabalhos mudam o tempo todo. Só que eu comecei um trabalho que exige muito de mim mentalmente. Tou lendo como nunca na minha vida. E, consequentemente, digitando muito também. E essa maratona diante do computador o dia todo me tira a inspiração de escrever coisas. Quaisquer que sejam.

Só que o trabalho tá saindo da fase braba de ler-digitar… e bem nesse momento apareceu o Twitter na minha vida.

Pra quem não conhece, o Twitter é como aquelas frases que a gente escreve em baixo do nome, no MSN. O propósito é “O que você está fazendo agora”. Ou seja, é uma frase curta (140 caracteres) que pode falar de qualquer coisa, que não requer prática nem tampouco experiência, não precisa ser profundo nem ter temática única. Resumindo: é o paraíso do escritor.

E foi isso que me trouxe de volta a vontade de escrever. Porque pequenas pílulas são ótimas, mas às vezes dá vontade de desenvolver um pouco mais o assunto, ser mais profunda, mais chata até.

E assim voltei à Blogosfera. Num esquema “Twitter de ser”, sem muitos compromissos, sem temática nem uniformidade. E o que vier é lucro.

Vocações

Eu acho muito difícil saber o que quero. Claro que o básico todo mundo sabe: eu também quero viver bem de saúde, ter dinheiro sobrando, um amor pra chamar de meu e diversões mil. Isso é evasivo demais e o problema tá muito mais embaixo.

Eu acho realmente muito difícil saber o que eu quero. Realmente, sabe? Especificamente. Isso está claramente ligado à insatisfação intrínseca dos seres humanos, de nunca estarem contentes com o que têm, e com a insegurança de falir nos planos futuros.

O meu x da questão ultimamente é “o-que-eu-vou-fazer-quando-eu-crescer”. Porque escolher eu já escolhi, de alguma forma tou botando em prática, mas sempre tem aquela pulguinha atrás da orelha que não me deixa seguir com os planos calma e tranquilamente. Fico achando que talvez não seja realmente minha vocação, ou que talvez eu nem queira fazer o que eu faço, ou milhares de outros “quês” possíveis. Insatisfação + insegurança, claro.

Acho que a minha vocação era ser livre de vocação, não ter que trabalhar pra ganhar dinheiro, fazer o que me desse na telha no momento e ir vivendo. Trabalhar por esporte.

Pensando bem… todo mundo quer isso, não quer não?

Acho melhor voltar ao trabalho.

A maconha e o retrocesso

A polêmica está solta por aí desde que, há pouco mais de um mês, resolveu-se fazer uma manifestação nacional para abrir o diálogo sobre a visão legal do consumo de maconha. De um lado os Ministérios Públicos de todo o país entraram contra e proibiram as manifestações, com exceção de Pernambuco, alegando apologia ao consumo de substância ilícia. Do outro lado os manifestantes, apoiados depois do veto pela OAB-RJ, alegando a liberdade de se manifestar e questionar políticas públicas.

No final das contas o que vemos é um grande quadro de retrocesso. Por ambas as partes.

Da parte dos MPs, de querer proibir e coibir uma manifestação pacífica. Não importa o tema, desde que a manifestação seja pacífica e ordeira, cabe totalmente dentro da constitucional “liberdade de expressão”, afinal de contas as pessoas têm o direito de pensar diferente e falar sobre isso. E isso não significa que suas manifestações vão ser aceitas e absorvidas – isso vai depender, realmente, do debate público sobre o tema.

Da parte dos manifestantes – e deixo claro aqui que não todos – o retrocesso está em achar correto a liberação da maconha descriminadamente. Não é novidade para ninguém que qualquer tipo de substância que altere o estado de consciência deve ser controlada, já que não podemos confiar no bom-senso de cada um (que é totalmente subjetivo). Liberar o uso só atrasaria ainda mais o processo que o Ministério da Saúde vem realizando há anos, de tentar educar a população sobre o consumo de álcool e cigarro, nossas única drogas lícitas.

Agora, não dá pra fechar os olhos, como fingem fazer os MPs, e brincar de “maconha-não-existe”. O consumo é muito comum e visível, em qualquer setor social, então é preciso conversar sobre a legislação sim e regulamentar. Separar traficante de usuário, separar uso medicinal de diversão, separar consumo responsável de irresponsável, separar pesquisa séria e estatísticas verdadeiras de achismos. Como deve acontecer com qualquer tipo de substância alteradora.

Com certeza, mais irresponsável do que “consumir substâncias ilícitas” ou “fazer apologias” é fingir que elas não existem ou que não alteram em nada a vida das pessoas.

Tem coisa mais saudável do que conversar sobre?

Cubo Mágico

Eu tenho um cubo mágico há milênios, mas nunca consegui passar do básico. Montei, no máximo, 3 faces ao mesmo tempo.

Hoje bateu uma curiosidade e acabei descobrindo uma série de vídeos no You Tube que ensinam a montar o quebra-cabeça. Só assisti até o vídeo 3 (são 11 pelo que vi) porque a explicação é boa mas leva um tempo pra fazer dar certo.

Se você quiser tentar, assista aos tutoriais postado pela Vampira. E depois me conta se deu certo.

Céu de Suely

Ontem assisti “O Céu de Suely“. Assisti porque tinha ouvido de uma porrada de gente que o filme era bom. E realmente é. É um filme simples, aparentemente de baixo orçamento, mas de direção, produção, roteiro e atuação impecáveis.

A sensibilidade aparece nos detalhes, desde o figurino até a relação entre as personagens. Aliás, todos os atores (quase todos usam seus nomes reais) estão bem, entrosados, inteiros – especialmente Hermila Guedes, a protagonista.

É um lindo filme da safra do novo cinema brasileiro – ainda com resquícios do antigo cinema, com a narrativa lenta, mas que nessa produção não chega a incomodar, se duvidar até ajuda.

Blogosfera – O Retorno

Mais uma vez, cá estou eu.

Sei que já disse que voltaria pra blogosfera mais vezes, mas acho que me faltava motivação, ou um tema que fosse interessante falar sobre. O que eu não tinha entendido é que essa coisa de blog temático só funciona pra quem é profissa do ramo: eu, como simples “amadora” (no sentido original da palavra, que faz isso por amor), preciso de mais área de expansão.

Logo, o Trecos & Afins deve ser desativado em breve – o que não significa que vou abandonar as descobertas mirabolantes da indústria moderna. O Rivotril morreu há tempos, e isso todo mundo já notou – o por quê é claro: a busca por informações medicamentosas é mais do que irritante quando acumulada ao longo dos anos. O Cadê Lili praticamente não existiu e o Cadê a Luz foi fácilmente substituído pela facilidade do Picasa, no e.colepicolo.

Além desse novo blog, tem o Twitter – cade_lili – que foi o responsável pela chama na brasa de escrever. Ele vai ficar ali do lado, pra facilitar. Tem meu site, mas esse sim é profissa. E é só.

O que você vai encontrar por aqui eu não tenho a menor idéia – ainda. Mas uma hora a gente descobre e rotula. Eu acho.